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O longo e tenebroso inverno de 2007 a 2014

Há tempos não atualizo este Blog.

Isso acontece pois não tenho lido notícias realmente relevantes sobre a preparação para a Copa de 2014.

Leio muitas notícias sobre obras atrasadas, respostas de políticos e discussões sem fim sobre a falta de ação dos Governos envolvidos em relação à infraestrutura necessária para receber o imenso público da Copa.

O fato mais relevante desde meu último post (no longínquo dia 06/05/2010, cujo tema era, veja você, o atraso nas obras…) foi o pseudo-fim da discussão sobre qual seria o Estádio de inauguração da Copa (decisão tardia e que teve mais gosto de política do que de criteriosa).

Todavia, não há grandes notícias sobre a construção deste novo estádio ou desenvolvimento do entorno. O que traz de volta a discussão sobre a viabilidade deste projeto.

Estes atrasos além de tornar praticamente impossível a possibilidade desta Copa cumprir sua real função (deixando o país sede com uma infraestrutura mais desenvolvida para sua população e possibilitar o crescimento da indústria do turismo) também está matando este Blog pela falta de assuntos relevantes!

Não sei se vale a pena repetir mais uma vez que o Brasil teve notícia de que sediaria uma Copa ainda em 2004, quando apresentou-se como candidato único para sediá-la, consumando-se o fato com o anuncio oficial em 30/10/2007.

Pois bem, estamos em 2011 e não tenho grandes notícias sobre obras e projetos para a Copa de 2014.

Tenho apenas discussões políticas que beiram o surrealismo, como bem apontou o jornalista Juca Kfouri em seu Blog (especialmente nos posts “Não se esqueça, hoje é dia 1o. de abril” de 01/04/2011, em: http://blogdojuca.uol.com.br/2011/04/nao-se-esqueca-hoje-e-dia-1o-de-abril/ e “Casa que não tem pão, todos gritam e ninguém tem razão” de 30/03/2011, em: http://blogdojuca.uol.com.br/2011/03/casa-que-nao-tem-pao-todos-gritam-e-ninguem-tem-razao/):

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Não se esqueça, hoje é dia 1o. de abril

Hoje é dia 1o. de abril.

Redobre sua atenção, fique de prontidão, porque é inevitável que apareça alguém que queira brincar com a sua cara.

Ontem, que era só 31 de março, até já apareceu, e no Jornal Nacional.

Ricardo Teixeira garantiu que as reformas e construções em nossos estádios, em 10 dos 12, estão dentro do prazo.

Só São Paulo e Natal são exceções.

Hoje é dia 1o. de abril, não se esqueça. É inevitável que apareça alguém para brincar com você.

Ontem era só dia 31 de março.

Mas o presidente da CBF, no poder há 22 anos num país sem nenhum estádio apto a  receber uma Copa do Mundo, antecipou a brincadeira com a sua, a minha, a nossa cara.

Em pleno Jornal Nacional.

Só tomando chá de cadeira, para esperar a queda de Ricardo Teixeira.

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Casa que não tem pão, todos gritam e ninguém tem razão

Então, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, diz que a Copa do Mundo no Brasil está mais atrasada do que estava a da África do Sul ao faltarem quase três anos para o começo do torneio.

Ricardo Teixeira, com medo de CPI,  elogia os políticos brasileiros, diz que não há motivos para preocupação, que tudo está dentro dos prazos e deixa claro que o problema é eleitoral, porque ele não cumprirá o que acordou com Blatter e não votará nele na eleição de junho para a presidência da Fifa.

Blatter também não mais apontará Teixeira para sucedê-lo em 2015.

E Orlando Silva, o ministro do Esporte, para piorar as coisas neste momento em que o Brasil odeia falar em laranjas e bananas viraram símbolos de racismo, diz que comparar o Brasil com a África do Sul é confundir laranjas com bananas.

Resta à querida ouvinte e ao caro ouvinte da CBN não acreditar nem em Blatter, nem em Teixeira, nem em Silva.

Embora Blatter pareça mais perto da realidade quando se sabe que a cidade de São Paulo, apontada com sede da abertura da Copa, nem sequer começou a construir o estádio destinado a ser palco do jogo inaugural.

À sombra do Pan (Parte 2)

Ilustração de Dri Matsuda - http://drimatsuda.blogspot.com/

Ilustração de Dri Matsuda - http://drimatsuda.blogspot.com/

O site Maquina do Esporte traz hoje (29/04/2009) reportagem de Guilherme Costa sobre a Copa de 2014. O texto “Pan inspira controle de custos para a Copa” relembra o assunto no qual este blog vem insistindo: o passado.

O texto a seguir encontra-se em: http://maquinadoesporte.uol.com.br/v2/noticias.asp?id=12910

O discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, tem sido enfático: sempre que é questionado sobre as projeções de gastos para a Copa do Mundo de 2014, que será no Brasil, o dirigente rechaça comprometer o orçamento público com a reforma de estádios. Na África do Sul, em contrapartida, todas as arenas que serão usadas no Mundial têm investimento estatal. A disparidade entre a realidade de um e o discurso de outro tem como principal explicação a má impressão do Pan-Americano de 2007, no Rio de Janeiro.

A relação entre o Pan e o temor sobre a Copa do Mundo ficou clara em palestra de Caio Luiz de Carvalho, presidente da São Paulo Turismo, realizada na última terça-feira. Ele participou de um fórum organizado pela Escola Superior de Propaganda e Marketing para debater o Mundial de 2014 e fez duras críticas à inflação dos gastos com o evento realizado no Rio de Janeiro.

Nós aprovamos um orçamento inferior a R$ 400 milhões para o Pan, mas esse valor subiu muito posteriormente e passou dos R$ 3 bilhões. É claro que isso desperta um temor. Não podemos esperar mais Engenhões”, disse Carvalho em relação ao estádio João Havelange, orçado em R$ 350 milhões e alugado depois ao Botafogo por R$ 30 mil mensais.

O presidente da São Paulo Turismo, que na época do lançamento da estimativa de gastos com o Pan era ministro do Esporte, usou o Engenhão como exemplo da falta de planejamento para o evento: “A construção de um estádio para a Copa do Mundo, por exemplo, consome ao menos R$ 1,5 bilhão se contarmos todas as obras paralelas que são necessárias. Se me perguntarem se eu quero um estádio novo em São Paulo, vou dizer que sim. Mas espero que me apresentem alguém para pagar essa conta. Não podemos fazer e depois submeter o espaço a uma licitação, que sempre tem preço lá embaixo”.

Há dois fatores que tornam o pensamento de Carvalho ainda mais contundente: o presidente da São Paulo Turismo admite a construção de um novo estádio em São Paulo, a despeito de a candidatura paulista ter definido o Morumbi como sua arena desde o início, e o discurso serve como crítica a outros projetos de cidades que postulam receber jogos da Copa.

“Não acredito que todas consigam fazer estádios apenas com dinheiro da iniciativa privada, como está se falando. Até onde eu sei, as candidaturas sem investimento público em estádios são de Porto Alegre, Curitiba e São Paulo. E falam de Natal, mas Natal eu não conheço. Nas outras, não sei o que pode acontecer”, ponderou o dirigente.

Carvalho vislumbra para a Copa do Mundo um cenário muito parecido com o Pan: “O orçamento era um, mas foi inflacionado e não encontrou quem pagasse a conta. Quando o evento estava perto de ser realizado, o governo precisou assumir para não passar vergonha. Isso pode acontecer também para 2014. Temos cinco anos, a maioria das obras ainda não começou e pouca coisa deve acontecer antes das eleições do ano que vem“.

Em todas as palestras realizadas no fórum sobre a Copa do Mundo de 2014, o atraso nas obras de estádios que precisam ser construídos foi tema recorrente. A justificativa comum à falta de iniciativa é a indefinição da Fifa, que só vai anunciar no dia 31 de maio as 12 cidades brasileiras que receberão jogos do torneio (atualmente, 17 brigam por essa condição).

A desconfiança sobre o prazo, contudo, não impediu Carvalho de projetar a construção de uma nova arena em São Paulo. “O prefeito Gilberto Kassab tem um projeto para a criação de um espaço multiuso, focado em shows, mas não será algo do tamanho que a abertura da Copa exige. Mas repito: se aparecer alguém que pague a conta, as coisas podem acontecer”, declarou o ex-ministro, que não vê nesse discurso uma ameaça ao Morumbi: “Acreditamos no projeto e no cronograma montado. Esse é o nosso estádio para a Copa do Mundo”.

E quem paga a conta? (Parte 3)

Sempre fui favorável ao Brasil receber um evento como a Copa do Mundo. Fui. Até o Pan de 2007, quando fiquei impressionado com os gastos públicos mal direcionados.

Apesar disso, ainda espero que algo de bom fique da Copa de 2014. De uma forma ou de outra, acredito que o Brasil terá como legado uma infraestrutura muito melhor (só temo o custo disso tudo para nós, os contribuintes). Resta-nos fiscalizar.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, reportagens já dão conta de que haverá um investimento nunca antes feito a fim de viabilizar o transporte na cidade. Enquanto espera-se o plano de investimento Federal pelo PAC (que deve sair em março) provavelmente focado na estrutura aeroportuária, a Prefeitura e o Governo Estadual já começam a fazer propaganda de suas obras, em especial no metrô.

Segundo o Plano de Expansão do Metrô, até 2010 serão investidos R$ 20 bilhões na expansão das linhas férreas metropolitanas. O metrô especificamente deverá passar dos 61,3 km existentes para cerca de 80 km.

Fica difícil de acreditar em um aumento de cerca de 18,7 km em tão pouco tempo. Conforme reportagem do Jornal Estado de S. Paulo, publicada em 08/09/2008, disponível em: http://www.estadao.com.br/cidades/not_cid237779,0.htm, “de 1974, ano em que foi inaugurado, até 2007, o metrô de São Paulo avançou 1,5 km ao ano”. Ainda segundo a mesma reportagem, a expansão do metrô faz-se necessária, já que São Paulo tem hoje o metrô mais lotado do mundo.

Dentro deste plano de expansão há uma linha nova, que, visando a Copa, pretende integrar o Estádio do Morumbi ao resto da cidade. Afastado do centro da cidade, o estádio é de difícil acesso hoje. Praticamente só se chega lá de carro, apesar de não haver estacionamento no estádio. Há apenas “flanelinhas” (ou “guardadores de carro”) nos arredores do estádio.

Mas ainda assim, tenho certo orgulho de São Paulo. Ao contrário de outros Estados, que deverão utilizar estádios públicos para abrigar os jogos, o Estádio do Morumbi é particular e, até o presente não se falou em investimento público em sua reforma.

Cuiabá (MT) por outro lado tem planos de investir dinheir público em seu estádio, conforme reporta Paulo Vinícius Coelho da ESPN Brasil (post de 02/02/2009, encontrado em:

http://espnbrasil.terra.com.br/cuiab%E1/post/31841_CUIABA+PRETENDE+GASTAR+350+MILHOES+DE+DINHEIRO+PUBLICO+PARA+SER+SEDE+DA+COPA)

PVC afirma que “o projeto de Cuiabá inclui R$ 350 milhões somente para a construção do novo estádio. O José Fragelli será demolido e reconstruído no mesmo local. Tudo dinheiro público, do governo do Estado do Mato Grosso!!!”

“Além desse dinheiro, quatro Centros de Treinamento serão construídos. Um em Várzea Grande, um na Chapada dos Guimarães, um no Pantanal, outro no Lago de Manso. Tudo dinheiro das prefeituras!!!”

São Paulo ainda tem a chance de ficar com algum legado dessa Copa. E Cuiabá? Deixo PVC concluir:

“O legado? O prefeito de Cuiabá, Wilson dos Santos, garante: ‘A Copa do Mundo uniu muito a cidade. Nosso projeto é ter um time na Série A do Brasileirão em 2012, dois anos antes da Copa’, diz o prefeito. O grande problema: tudo é dinheiro público. Não do governo federal, como Lula garantiu. E daí? Dinheiro público do governo do estado também é dinheiro seu, que vive no Mato Grosso”.

Portanto, caso Cuiabá seja eleita uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, quem vai pagar a conta é você, contribuinte mato-grossense!

cerca de R$ 350 milhões de dinheiro público.

Foto de divulgação do projeto do Estádio Verdão, em Cuiabá: cerca de R$ 350 milhões de dinheiro público.

Foto de divulgação do projeto do Verdão disponível em:

http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/0,,MUL978365-9825,00-CAMPO+GRANDE+E+CUIABA+REVIVEM+RIVALIDADE+NA+DISPUTA+PELA+COPA+DE.html