Ê Cuiabá…

Novo projeto do estádio de Cuiabá pra 2014, o "Novo Verdão". Fonte: www.copanopantanal.com.br

Novo projeto do estádio de Cuiabá pra 2014, o "Novo Verdão". Fonte: http://www.copanopantanal.com.br

O Blog do José Cruz, já recomendado por nós no último post, trouxe uma série de posts detectando um dos primeiros abusos das finanças públicas da Copa de 2014.

Em “Copa 2014, começou a festa“, publicado em 25/08/2009, ele explica que, 5 anos antes da Copa, o Governo do Mato Grosso já está dispensando licitações por falta de tempo!

O governo do estado contratou, sem licitação, o projeto executivo para construir o estádio municipal [a um custo de R$ 14 milhões]. (…)

Além disso, o governo contratou uma “consultoria técnica” de R$ 400 mil mensais, pagos também atropelando as normas legais, isto é, sem licitação.

Veja bem, estamos falando apenas em projetos e consultorias. A construção de fato está orçada em mais R$ 400 milhões.

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Em “Copa da sustentabilidade“, publicado no mesmo dia, traz a justificativa que recebeu do assessor de imprensa do Governo de MT, o jornalista Orlando Morais:

Entre a escolha das cidades-sedes e a apresentação do projeto à Fifa era pouco mais de um mês. Diante disso, o governo se valeu de recurso na legislação do estado para fugir da licitação. Tudo legal, garante Morais.

Assim, a empresa paulista GCP Arquitetos foi a escolhida para elaborar o projeto do estádio, ao custo de R$ 14 milhões, pagos pelo contribuinte.

Conforme Orlando Morais, a empresa em questão é especializada em projetos ambientais, com perfil ecológico, adequado ao tema que o governo do Mato Grosso elegeu para 2014: “Copa da sustentabilidade”…

O jornalista Morais também confirmou a contratação de uma empresa para assessorar o governo na preparação da Copa do Mundo, conforme divulguei.

A eleita foi a Deloitte, que, igualmente, escapou da licitação por ser de reconhecida capacidade para o trabalho em questão. Também, tudo legal.

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Já no dia 26/08/2009, o post “O primeiro escândalo” lembra que Cuiabá teve de apresentar um projeto para concorrer ao direito de sediar a Copa:

O governador de Mato Grosso, Blairo Borges Maggi, não precisava gastar R$ 14 milhões para elaborar às pressas um projeto de estádio para receber os jogos da Copa do Mundo (…)

Não precisava porque já era dono de um projeto que foi usado, inclusive, para eleger Cuiabá, junto à Fifa, como uma das sedes da Copa.

Porém, alegando que a obra original tinha custo elevado (R$ 500 milhões), decidiu rasgar a proposta e chamar outra empresa, fugindo da tal licitação, recurso público-administrativo que dá transparência nas ações governamentais.

(…) Ou seja, o governador pagou duas vezes para ter um só projeto.

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Por fim, também destacamos o texto “Matemática do mundial“, também do dia 25/08/2009, em que o jornalista Walter Guimarães faz um levantamento que questiona a utilidade do projeto para a população do MT e sua viabilidade financeira.

Nos últimos seis anos, os times do Mato Grosso arrecadaram um total de R$ 642.632,00 na disputa da Série C, o que dá a média de R$ 107.000,00 por ano.

Então para pagar o estádio, contando apenas a renda dos times nos Brasileiros, e com toda a renda sendo repassada para o estado (o que não acontece), seriam necessários apenas 3.700 anos para pagá-lo.

(…) Outro detalhe, nesses seis anos, foram 81.136 torcedores aos jogos. O Verdão vai ter 40 mil lugares, ou seja, o total de pagantes nesses anos quase cabe em dois jogos do novo estádio.

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A comparação com o Pan faz-se, novamente, inevitável. É a conclusão de Cruz: “De fato, o Pan-2007 fez escola. Serviu para um aprendizado impressionante“.

Recomendo mais uma vez uma visita ao Blog do José Cruz, no endereço blogdocruz.blog.uol.com.br. Aproveite para ler lá todos estes textos na íntegra!

sustentabilidade

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Os entraves da Copa, por José Cruz

Esta semana tive a grata surpresa de conhecer o novo Blog do jornalista José Cruz. Lá ele aborda temas do esporte com uma visão política e econômica. Vale a pena acompanhá-lo: blogdocruz.blog.uol.com.br

Aproveito para reproduzir aqui um de seus ótimos textos, publicado hoje (22/08/2009) sob o título “Os entraves da Copa” (disponível em: http://blogdocruz.blog.uol.com.br/arch2009-08-16_2009-08-22.html#2009_08-20_18_27_00-139474431-0).

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Os entraves da Copa

Passada a euforia das cidades vencedoras para receberem jogos da Copa do Mundo de 2014, os problemas entram na ordem do dia. Pior: não há encaminhamento de soluções. Cuiabá, por exemplo, vive um drama: terá que construir hotéis, mas depois da festa do futebol faltará movimentação turística para ocupar a rede. Diante dessa realidade, ninguém se atreve a investir no segmento.

A deputada Thelma de Oliveira (PSDB-MT) está “extremamente angustiada”. E desabafa: “As autoridades do nosso estado sentem insegurança nos rumos da preparação para a Copa. Temos problemas graves a resolver, como saneamento básico. Mas, onde estão os recursos? Já tivemos reuniões com vários ministros e não sentimos firmeza nas suas respostas”.

Foi neste tom que se realizou hoje a quarta audiência pública sobre o s preparativos para a Copa, na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, na Câmara dos Deputados. O tema da vez foi turismo.

Alerta

Paulo Ratts, deputado do PMDB pelo Rio de Janeiro, alertou que construir hotéis pode provocar um colapso, mais tarde, porque muitas cidades não terão movimento de visitantes que justifique tal investimento.

“Ainda não temos nem os custos dos investimentos que serão realizados pelo governo. Eu estou convencido de que o Brasil não está preparado para receber a Copa”, alertou.

Na prática, o governo federal já garantiu que o BNDES terá linhas de créditos para investimentos, inclusive para a construção e reforma de estádios. Porém, há dúvidas: “Os estados, os municípios ou os clubes envolvidos na empreitada terão condições de honrar os financiamentos”? – indaga Rattes.

O outro lado

A disposição do BNDES de abrir os cofres parece não ser o suficiente. O diretor-executivo da Associação da Indústria de Hotéis, César Gonçalves, lembrou que os juros dos empréstimos são altíssimos e o prazo de carência é pequeno, apenas cinco anos. “O negócio hoteleiro não dá retorno imediato. É preciso aumentar o prazo e reduzir os juros”, sugeriu.

Em busca do tempo perdido 2 – A subcomissão parlamentar

seloEm março de 2009 comentei com certa empolgação aqui no blog (nos posts dos dias 01/03/2009 e 10/03/2009) uma excelente reportagem da revista Carta Capital (Aos pés de Teixeira”, de Phydia de Athayde , publicada em 27/02/2009, ano XV, nº 535) onde o Deputado Federal Silvio Torres (PSDB-SP) criticava o excesso de poder nas mãos de Ricardo Teixeira (presidente da CBF e do comitê organizador da Copa), lembrava da péssima organização do Pan e da falta de fiscalização do dinheiro público lá empregado.

Ao final o Deputado falava que havia apresentado uma proposta de criação de uma Subcomissão especial na Câmara dos Deputados, ligada à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, a fim de fiscalizar os gastos do Governo Federal com a Copa de 2014 para evitar outro vexame de escala Panamericana.

De fato tal subcomissão foi criada (ainda em março de 2009). Mas será que vai adiantar de alguma coisa?

Logo após a sua criação, o site da Transparência Brasil, mais especificamente sua subdivisão Excelências (que faz um levantamento das informações dos parlamentares em exercício no Brasil) publicou um estudo sobre essa subcomissão. Leia um resumo deste estudo, publicado no site da ESPN Brasil:

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Uma subcomissão acima de qualquer suspeita para fiscalizar gastos da Copa

(por José Roberto Malia, publicado no site da ESPN Brasil em 11/06/2009, em: http://espnbrasil.terra.com.br/copadomundo/noticia/55285_UMA+SUBCOMISSAO+ACIMA+DE+QUALQUER+SUSPEITA+PARA+FISCALIZAR+GASTOS+DA+COPA)

Os espertinhos que se cubram. A subcomissão criada na Câmara dos Deputados para monitorar os recursos públicos federais para a Copa-2014 é capaz de achar agulha no palheiro de olhos vendados. Nada vai passar batido.

Segundo a ‘Transparência Brasil’, organização independente e comprometida com o combate à corrupção, dos 18 integrantes da ilibada bancada de parlamentares, 14 (os nove titulares e cinco suplentes) respondem a inquérito ou ação penal na Justiça; ou foram multados por Tribunal de Contas; ou tiveram contas de campanha rejeitadas pela Justiça Eleitoral; ou estão sendo executados por dívidas junto ao poder público.

O mar de rosas continua: dos 18 deputados, 16 (oito titulares e oito suplentes) tiveram o nome envolvido em supostos atos de desvio ou mau uso de recursos públicos; nenhum dos 18 integrantes está fora de alguma das duas listas; e 13 dos 18 deputados representam estados que receberão jogos da Copa-2014, incluindo-se o vice-presidente e o relator da subcomissão, o que configura conflito de interesse.

De acordo com a ‘Transparência Brasil’, a análise do perfil dos deputados integrantes da subcomissão permanente para acompanhamento, fiscalização e controle dos recursos públicos federais destinados à Copa-2014 “mostra que todos apresentam algum tipo de vulnerabilidade ou conflito de interesse para exercer essa tarefa e que, portanto, não poderiam estar nessa posição”.

Felizmente, há sempre o outro lado da moeda. Cuiabá que o diga! O prefeito Wilson Santos (PSDB) jogou no lixo a promessa do rei da bola, Ricardo Teixeira, de que não seria usado dinheiro público na construção ou reforma de estádios. Ele vai erguer um elefante branco, o Verdão, com 100% de recursos do governo estadual. A arena, com capacidade para 42.500 torcedores, vai devorar apenas R$ 400 milhões.

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O estudo do Transparência Brasil está disponível no endereço: http://www.excelencias.org.br/docs/SubcomissCopa.pdf

Vale a pena dar uma olhada no estudo.

Vale também saber quem são os 18 Deputados (9 titulares mais 9 suplentes) que compõem esta Subcomissão, pois, havendo qualquer problema no repasse de verbas ou nos contratos assinados pelo Governo Federal, é de responsabilidade deles encontrá-las.

Pelo menos até 2010, quando teremos novas eleições e a Subcomissão será reformulada…

Segue a lista dos componentes (com o link do perfil de cada um deles no site da Transparência Brasil):

Titulares
Rômulo Gouveia – PSDB/PB (Presidente da Subcomissão)
Léo Alcântara – PR/CE (Vice-presidente da Subcomissão)
Paulo Rattes – PMDB/RJ (Relator da Subcomissão)
Ademir Camilo – PDT/MG
Carlos Willian – PTC/MG
Edinho Bez – PMDB/SC
José Carlos Machado – DEM/SE
Rodrigo Maia – DEM/RJ
Simão Sessim – PP/RJ

Suplentes
Bruno Araújo – PSDB/PE
Devanir Ribeiro – PT/SP
Felipe Bornier – PHS/RJ
João Magalhães – PMDB/MG
José Carlos Vieira – DEM/SC
Léo Vivas – PRB/RJ
Márcio Reinaldo Moreira – PP/MG
Silvio Torres – PSDB/SP
Wellington Roberto – PR/PB

Em busca do tempo perdido 1 – O anúncio, o sigilo e a segurança pública

Em busca do tempo perdido

Cadernos da Copa em busca do tempo perdido

Conforme relatado em nossos últimos posts, foram anunciadas em 31/05/2009 as 12 cidades que sediarão os jogos da Copa de 2014. Tal anuncio foi feito sem surpresa alguma, uma vez que durante a semana anterior a informação vazou a conta-gotas, primeiro dizendo que o Rio seria uma das sedes, que Florianópolis estava fora, depois que Salvador estava dentro… Enfim, no dia 29/05/2009 o jornalista Anselmo Gois abriu a torneira de vez e despejou em seu blog as 12 cidades, quase 48h antes da FIFA, tornando o anúncio oficial um mero ato burocrático e desnecessário, rendendo uma cobertura da imprensa que não conseguiu causar qualquer impacto.

Ricardo Teixeira (presidente da CBF e do comitê organizador da Copa) negou que tenha havido vazamento de informação e atribuiu à sorte o acerto de Anselmo Gois.

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Se em novembro de 2007 o anúncio do Brasil como sede da Copa de 2014 ficou marcado pela queda da arquibancada do estádio da Fonte Nova que resultou em 7 mortos,em junho de 2009, o anúncio das 12 cidades ficou marcado pela morte de mais 1 torcedor. Desta vez, o motivo da morte foi o confronto entre torcedores do Vasco e do Corinthians após jogo válido pela Copa do Brasil (torneio organizado pela CBF).

O confronto deu-se, segundo a Folha Online (no texto “Morte de torcedor expõe impotência do país da Copa-2014”, publicado em 05/06/2009, de Luis Kawaguti e Mariana Bastos), em uma Avenida de São Paulo, quando um comboio de 15 ônibus da torcida do Vasco, escoltado pela PM, foi abordado por um ônibus com 60 membros de uma torcida organizada do Corinthians, armados com barras de ferro, pedras, facas e pelo menos duas armas de fogo. Segundo a PM cerca de 450 pessoas participaram da briga e durou 15 minutos, quando chegaram mais policiais e controlaram a situação.

Ônibus atacado em SP após jogo da Copa do Brasil. http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1182205-5605,00.html

Ônibus atacado em SP após jogo da Copa do Brasil. http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1182205-5605,00.html

Assim como a tragédia da Fonte Nova, esta também não abalou a organização da Copa, afinal, uma morte a mais ou uma morte a menos não irá alterar em nada os planos da Copa.

Questionado sobre o ocorrido, o Ministro dos Esportes, Orlando Silva Jr. afirmou que “O que aconteceu não afeta [a Copa] em nada. Nada tem a ver com a Copa do Mundo” (conforme site da Folha Online, na reportagem “Para ministro, morte de torcedor não afeta Copa-2014de 05/06/2009, em http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u576820.shtml).

Menos preocupado com a segurança pública está o presidente da CBF e do comitê organizador da Copa do Mundo no Brasil, o Senhor Ricardo Teixeira.

Conforme informa o Blog de Juca Kfouri (no post “Pôncio Pilatos é o novo presidente da CBF“, de 05/06/2009, em: http://blogdojuca.blog.uol.com.br/arch2009-05-31_2009-06-06.html), ao ser questionado, Teixeira apenas perguntou: “Foi dentro do Estádio?“. Ao saber que não, lavou suas mãos: “É o que eu sempre tenho dito em entrevistas. Tudo o que acontece fora do campo é caso de polícia. O problema é que se relaciona a violência ao fato de ter acontecido em um jogo. Certamente em várias cidades aconteceram vários casos de violência que não têm nada a ver com futebol. É um problema exclusivamente de polícia e de punição”.

Assim sendo, podemos esperar que a organização da Copa (seja por parte dos organizadores, representados por Teixeira, seja por parte do Governo, representados pelo Ministro) não terá qualquer plano visando a segurança pública. Pois isso é, obviamente, um problema dos turistas, não da organização da Copa!

O descaso e a falta de envolvimento na organização do evento é chocante. Até o momento só se tem falado em construir e reformar estádios. Afinal de contas, planejar questões estratégicas e fundamentais para o desenvolvimento do turismo pós-Copa não deve ser problema deles mesmo (sem contar que não gera contrato com empreiteiras).

O confronto deu-se, segundo a Folha Online (no texto “Morte de torcedor expõe impotência do país da Copa-2014”, publicado em 05/06/2009, de Luis Kawaguti e Mariana Bastos), em uma Avenida de São Paulo, quando um comboio de 15 ônibus da torcida do Vasco, escoltado pela PM, foi abordado por um ônibus com 60 membros de uma torcida organizada do Corinthians, armados com barras de ferro, pedras, facas e pelo menos duas armas de fogo. Segundo a PM cerca de 450 pessoas participaram da briga e durou 15 minutos, quando chegaram mais policiais e controlaram a situação.

Assim como a tragédia da Fonte Nova, esta não abalou a organização da Copa, afinal, uma morte a mais ou uma morte a menos não irá alterar em nada os planos da Copa.
Questionado sobre o ocorrido, o Ministro dos Esportes, Orlando Silva Jr. afirmou que “O que aconteceu não afeta [a Copa] em nada. Nada tem a ver com a Copa do Mundo” (conforme site da Folha Online, reportagem de 05/06/2009, em http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u576820.shtml).

Menos preocupado com a segurança pública está o presidente da CBF e do comitê organizador da Copa do Mundo no Brasil, o Senhor Ricardo Teixeira.
Conforme informa o Blog de Juca Kfouri (no post Pôncio Pilatos é o novo presidente da CBF, de 05/06/2009, em: http://blogdojuca.blog.uol.com.br/arch2009-05-31_2009-06-06.html), Teixeira quis saber apenas se a morte havia ocorrido dentro do Estádio. Ao saber que não, lavou suas mãos: “É o que eu sempre tenho dito em entrevistas. Tudo o que acontece fora do campo é caso de polícia. O problema é que se relaciona a violência ao fato de ter acontecido em um jogo. Certamente em várias cidades aconteceram vários casos de violência que não têm nada a ver com futebol. É um problema exclusivamente de polícia e de punição”.

Assim sendo, podemos esperar que a organização da Copa (seja por parte dos organizadores, representados por Teixeira, seja por parte do Governo, representados pelo Ministro) não terá qualquer plano visando a segurança pública. Pois isso é, obviamente, um problema dos turistas, não da organização da Copa!
O descaso e a falta de envolvimento na organização do evento é chocante. Até o momento só se tem falado em construir estádios novos. Afinal de contas, planejar questões estratégicas e fundamentais para o desenvolvimento do turismo pós-Copa não deve ser problema deles mesmo (sem contar que não gera contrato com empreiteiras).

Em busca do tempo perdido

Em busca do tempo perdido

Como não publiquei nada neste blog a mais de um mês, pretendo fazer uma série de 3 ou 4 posts contando o que aconteceu nesses dias em que eu estive afastado.

Mas, não se preocupe leitor: até o momento nada saiu do papel e a Copa continua distante.

Aliás, muita coisa ainda nem “entrou no papel”. Com os sucessivos escândalos em nosso poder legislativo durante este semestre, muitas leis que precisam ser votadas para viabilizar a Copa ainda não saíram do papel.

E falando em falta de ação no primeiro semestre, as reclamações feitas na fundação deste blog (em janeiro de 2009) continuam as mesmas: a CBF e o Governo brasileiro ainda não criaram um canal oficial de informações sobre a Copa de 2014.

Ah, todos os posts da série “Em busca do tempo perdido” levarão o “selo da viagem no tempo”. A ilustração é, como sempre, da Dri Matsuda, do Blog Bobagens, rabiscos, esboços e afins, em drimatsuda.blogspot.com.

As 12 cidades eleitas

cidades_2014

Ricardo Terra Teixeira (Presidente da CBF), Joseph S. Blatter (Presidente da FIFA) e Jérôme Valcke (Secretário Geral da FIFA) apresentam o mapa com as 12 cidades eleitas para sediar os jogos da Copa de 2014.

Foi sem surpresa nenhuma que a FIFA anunciou domingo, dia 31/05/2009, quais serão as 12 cidades que abrigarão os jogos da Copa do Mundo de 2014.

Confira a lista, encontrada no site oficial da FIFA:

(em: http://www.fifa.com/aboutfifa/federation/bodies/news/newsid=1064305.html?cid=rssfeed&att=)

* Belo Horizonte
* Brasilia
* Cuiaba
* Curitiba
* Fortaleza
* Manaus
* Natal
* Porto Alegre
* Recife
* Rio De Janeiro
* Salvador
* Sao Paulo

Ficaram de fora: Belém, Campo Grande, Florianópolis, Goiânia e Rio Branco.

Quem ganhou dinheiro com o Pan? (Parte 1)

O site do Ministério do Esporte publicou em 21/05/2009 o texto Jogos Pan-americanos movimentaram a economia do País, atesta pesquisa da Fipe, de Fabiane Schmidt, em apoio à candidatura do Rio à sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

O texto baseia-se em um estudo parcial da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisa Econômica) sobre os fatídicos Jogos Pan-americanos do Rio em 2007.

Segundo o texto, os estudos da Fipe demonstram que para cada R$ 1 milhão investido pela organização dos Jogos (dinheiro público, investido pela União, Estado, Município e CO-Rio), a economia nacional movimentou R$ 1,879 milhão. Concluindo (em tom de vitória) que, apesar de todas as críticas, “os mais de R$ 3,5 bilhões de aporte dos organizadores induziram a iniciativa privada a injetar outros R$ 6,7 bilhões nas cadeias produtivas relacionadas aos Jogos, provocando movimentação total de R$ 10,2 bilhões [R$3,5 bi público + R$6,7 bi privado] na economia brasileira”.

Os números colocados isoladamente parecem ser positivos, mas se comparados com os publicados neste mesmo Blog (post de 26/01/2009 Impacto econômico da Copa), percebemos que o impacto econômico do Pan foi irrelevante se comparado com as Olimpíadas de Barcelona, onde foram investidos 12,4 bilhões de euros em todo projeto olímpico (entre investimentos públicos, privados e o fundo olímpico do COI – diferente do Pan, que só envolveu dinheiro público), obteve-se um impacto econômico de 34 bilhões de euros (movimentando cerca de 2,7 euros pra cada 1 investido).

No mesmo post trouxemos números sobre a Copa da Alemanha 2006, onde, contando apenas o investimento nos estádios, 1,7 bilhão de euros (21% do orçamento para despesas do evento) obteve-se um retorno (gerado apenas pelos torcedores nos estádios, com compra de ingressos, comida, lembranças, etc) de cerca de 6,5 bilhões de euros.

Isso sem contar que os números do Fipe são questionáveis. Enquanto o texto trabalha com um investimento público de “mais de R$ 3,5 bilhões”, o site Maquina do Esporte, (no texto Fipe avalia “lucro” de 58% com Pan-07 também publicado em 21/05/09), lembra que os números do TCU são bem diferentes: “as esferas públicas gastaram cerca de R$ 4,3 bilhões, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), na organização do evento” mas, “o TCU ainda não concluiu a avaliação do rombo. Provavelmente, a soma deve passar da marca de R$ 5 bilhões”.

(Continuaremos a tratar destes números no próximo post).