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O preço de um “elefante branco” (parte 2)

Ilustração de Dri Matsuda: drimatsuda.blogspot.com

Há pouco mais de um ano, eu disse aqui no Blog que a expressão “Parceria Público-Privada” seria muito citada nos anos que antecedem a Copa 2014. Pois eu estava errado.

A expressão “Elefante Branco” tem sido muito mais popular!

Acabo de ler mais uma reportagem que aborda o tema: “Copa do Mundo deixará ‘elefantes brancos’, diz pesquisador” (da repórter Isabela Vieira, publicado no site da Agência Brasil de Comunicação em 24/03/2010), que reproduzo a baixo na íntegra.

Estranhamente, não foram a falta de PPPs ou a inviabilidade de sustentar as obras após a Copa que reabriram a discussão sobre diminuição do número de cidades sedes, mas sim o atraso destas obras.

Segundo reportagem do site d‘O Estado de S. Paulo (Ministro diz que cidades precisam apressar obras para Copa-2014“, de Pedro Fonseca e Rodrigo Viga Gaier, publicada em 25/03/2010) o Ministro dos Esportes disse durante um evento que: “A Copa acontece em 8 cidades (no mínimo). Doze foi um apelo que o Brasil fez para que o país inteiro pudesse participar. É preciso apertar o passo, cumprir os compromissos com a Fifa para que a Copa seja um sucesso”. Disse ainda que “o comitê local da Fifa já chamou a atenção das cidades e 3 de maio é um novo prazo para avaliarmos os estádios.”

Ainda segundo a reportagem do Estadão, “ao ser questionado diretamente o que poderia acontecer com as cidades que não cumprissem os prazos fixados com a Fifa, o ministro disse que ‘era melhor deixar para falar em 4 de maio’.”

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Enfim, a viabilidade econômica dos projetos não é um tema que tem sido tratado pelos envolvidos na organização da Copa. Aparentemente o simples fato de a FIFA ter aceitado a candidatura de uma cidade para sediar algumas partidas tira completamente a responsabilidade do poder público local de analisar a viabilidade e o legado de seus investimentos em “obras sem função social, com elevado custo de manutenção”.

Mas, para vocês que, como eu, gostam de perder tempo lendo sobre esse tipo de coisa, segue o texto a que me referi no início deste post:

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Copa do Mundo deixará “elefantes brancos”, diz pesquisador

Rio de Janeiro – O Brasil enfrentará desafios estruturais para a realização da Copa do Mundo de 2014. De acordo com o geógrafo da Universidade Federal Fluminense (UFF), Christopher Gaffney, o país caminha para a construção de elefantes brancos e demonstra falta de planejamento e de transparência nos gastos públicos. As informações constam de estudo apresentado hoje (23), durante o Fórum Social Urbano (FSU).

Segundo a pesquisa, não há controle nos gastos com a construção ou a recuperação de estádios das 12 cidades que receberão as competições. Ainda de acordo com o pesquisador, como o governo não conseguiu apoio da iniciativa privada para construção das arenas, que devem ter capacidade para 50 mil pessoas, fará aportes por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que destina R$ 4,8 bilhões para Copa do Mundo, sendo R$ 400 mil para cada município.

Gaffney disse também que a aplicação de dinheiro não conta com mecanismos de acompanhamento social e os orçamentos para reforma de três arenas foram extrapolados em menos de nove meses. Como exemplo, a pesquisa cita o Maracanã, no Rio, cujo orçamento inicial passou de R$ 500 milhões para R$ 600 milhões de 2009 para 2010, o Estádio do Morumbi, em São Paulo, que passou de R$ 136 milhões para R$ 240 milhões e do Estádio da Fonte Nova, em Salvador, de R$ 400 milhões para R$ 591 milhões.

O estudo questiona ainda o retorno dos investimentos governamentais na Copa, que também incluem infraestrutura urbana, transporte e benefícios fiscais. Gaffney estima que apenas para o retorno dos gastos com os estádios a ocupação das arenas deverá ser quadruplicada em relação a atual, embora os torcedores devam pagar mais pelos ingressos. Os preços passarão de R$ 20 e R$ 30 para R$ 45 e R$ 60.

Vai ter que arranjar torcedor disposto a pagar o dobro. Isso porque têm cidades do Norte e Nordeste que não tem tradição futebolística para lotar os estádios, como foi dito aqui e isso vai ser difícil depois da Copa. Ou seja, esses estádios devem acabar se tornando uma coisa que a gente conhece bem: os elefantes brancos”, afirmou o geógrafo, em referência a obras sem função social, com elevado custo de manutenção.

A pesquisa da UFF também chama atenção para o deslocamento dos torcedores no país durante a competição e alerta para o desafio da implementação de melhorias no transporte. “Não há uma estrutura ferroviária ligando o país e o próprio presidente da CBF reconheceu que o problema para a Copa são os aeroportos”, afirmou. Segundo o geógrafo, os R$ 6 bilhões anunciados pelo governo federal para os aeroportos são insuficientes.

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Dois anos depois… E quatro anos e meio antes.

Em 30/10/2007 o Brasil foi eleito como a sede da Copa de 2014. Dois anos depois ainda estamos discutindo quando iniciar as reformas e construções dos estádios e os projetos das cidades que hospedarão os jogos.

O Maracanã (RJ) deve começar sua reforma em janeiro. O Mineirão (MG) já discute adiar suas reformas para depois da Libertadores 2010 (isto é, até meados de 2010). Ainda levantam dúvidas sobre a viabilidade do Murumbi (SP) como estádio da cidade de São Paulo…

Os projetos das cidades mudaram, os preços dos projetos mudaram, até a palavra do presidente da CBF mudou (como lembra Erich Beting no post abaixo: Ricardo Teixeira dizia que não seria o presidente do Comitê Organizador da Copa).

Outras coisas não mudaram: ainda não temos o tão esperado site oficial da Copa 2014…

Na falta de informações oficiais, deixo-vos com as palavras do jornalista Erich Beting, em post publicado em seu Blog em 01/11/2009, http://negociosdoesporte.blog.uol.com.br/arch2009-11-01_2009-11-07.html#2009_11-01_20_38_58-136381883-0

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Preparemos as aspirinas

“Como é que eu posso tomar remédio agora para uma dor de cabeça que terei só daqui a três meses?”.

Essa foi a frase dita por Ricardo Teixeira, presidente da CBF e do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014, publicada neste domingo na coluna Painel FC da “Folha de São Paulo”. Teixeira se referia, no caso, a eventuais problemas que possam vir a ter as 12 cidades programadas para serem sede de jogos do Mundial.

De fato não adianta tomar remédio para prevenir a dor de cabeça, mas bem que poderíamos ter tomado diversas outras atitudes para evitar que a Copa do Mundo no Brasil se transforme numa daquelas enxaquecas terríveis de se controlar.

Ontem completaram-se dois anos da escolha do Brasil para ser sede do Mundial de 14, como sempre gosta de dizer o presidente da CBF, que também sempre gostava de dizer que não presidiria a CBF e o COL (Comitê Organizador Local) ao mesmo tempo…

Planejamento e execução são duas palavras, nesse caso, bem melhores do que uma aspirina para a dor de cabeça que já se transforma a Copa no Brasil. Há dois anos o país faz acordos políticos, troca de gentilezas e outras cositas mais em torno da discussão de como as cidades precisam se preparar para o Mundial.

Foram dois anos de tanto lobby que se esqueceu do básico, que é trabalhar. Até quinto estádio em São Paulo se cogita nessa loucura que se transformou o “caderno de encargos” da Fifa. Isso sem falar nos mamutes de Brasília, Manaus e Cuiabá, ou no despropósito que é ter mais uma arena para a prática de futebol em Recife.

É melhor começar desde já a preparar o estoque de aspirina, porque daqui a pouco vai chegar a hora de tentar controlar uma enxaqueca daquelas…

Ê Cuiabá…

Novo projeto do estádio de Cuiabá pra 2014, o "Novo Verdão". Fonte: www.copanopantanal.com.br

Novo projeto do estádio de Cuiabá pra 2014, o "Novo Verdão". Fonte: http://www.copanopantanal.com.br

O Blog do José Cruz, já recomendado por nós no último post, trouxe uma série de posts detectando um dos primeiros abusos das finanças públicas da Copa de 2014.

Em “Copa 2014, começou a festa“, publicado em 25/08/2009, ele explica que, 5 anos antes da Copa, o Governo do Mato Grosso já está dispensando licitações por falta de tempo!

O governo do estado contratou, sem licitação, o projeto executivo para construir o estádio municipal [a um custo de R$ 14 milhões]. (…)

Além disso, o governo contratou uma “consultoria técnica” de R$ 400 mil mensais, pagos também atropelando as normas legais, isto é, sem licitação.

Veja bem, estamos falando apenas em projetos e consultorias. A construção de fato está orçada em mais R$ 400 milhões.

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Em “Copa da sustentabilidade“, publicado no mesmo dia, traz a justificativa que recebeu do assessor de imprensa do Governo de MT, o jornalista Orlando Morais:

Entre a escolha das cidades-sedes e a apresentação do projeto à Fifa era pouco mais de um mês. Diante disso, o governo se valeu de recurso na legislação do estado para fugir da licitação. Tudo legal, garante Morais.

Assim, a empresa paulista GCP Arquitetos foi a escolhida para elaborar o projeto do estádio, ao custo de R$ 14 milhões, pagos pelo contribuinte.

Conforme Orlando Morais, a empresa em questão é especializada em projetos ambientais, com perfil ecológico, adequado ao tema que o governo do Mato Grosso elegeu para 2014: “Copa da sustentabilidade”…

O jornalista Morais também confirmou a contratação de uma empresa para assessorar o governo na preparação da Copa do Mundo, conforme divulguei.

A eleita foi a Deloitte, que, igualmente, escapou da licitação por ser de reconhecida capacidade para o trabalho em questão. Também, tudo legal.

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Já no dia 26/08/2009, o post “O primeiro escândalo” lembra que Cuiabá teve de apresentar um projeto para concorrer ao direito de sediar a Copa:

O governador de Mato Grosso, Blairo Borges Maggi, não precisava gastar R$ 14 milhões para elaborar às pressas um projeto de estádio para receber os jogos da Copa do Mundo (…)

Não precisava porque já era dono de um projeto que foi usado, inclusive, para eleger Cuiabá, junto à Fifa, como uma das sedes da Copa.

Porém, alegando que a obra original tinha custo elevado (R$ 500 milhões), decidiu rasgar a proposta e chamar outra empresa, fugindo da tal licitação, recurso público-administrativo que dá transparência nas ações governamentais.

(…) Ou seja, o governador pagou duas vezes para ter um só projeto.

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Por fim, também destacamos o texto “Matemática do mundial“, também do dia 25/08/2009, em que o jornalista Walter Guimarães faz um levantamento que questiona a utilidade do projeto para a população do MT e sua viabilidade financeira.

Nos últimos seis anos, os times do Mato Grosso arrecadaram um total de R$ 642.632,00 na disputa da Série C, o que dá a média de R$ 107.000,00 por ano.

Então para pagar o estádio, contando apenas a renda dos times nos Brasileiros, e com toda a renda sendo repassada para o estado (o que não acontece), seriam necessários apenas 3.700 anos para pagá-lo.

(…) Outro detalhe, nesses seis anos, foram 81.136 torcedores aos jogos. O Verdão vai ter 40 mil lugares, ou seja, o total de pagantes nesses anos quase cabe em dois jogos do novo estádio.

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A comparação com o Pan faz-se, novamente, inevitável. É a conclusão de Cruz: “De fato, o Pan-2007 fez escola. Serviu para um aprendizado impressionante“.

Recomendo mais uma vez uma visita ao Blog do José Cruz, no endereço blogdocruz.blog.uol.com.br. Aproveite para ler lá todos estes textos na íntegra!

sustentabilidade

Os entraves da Copa, por José Cruz

Esta semana tive a grata surpresa de conhecer o novo Blog do jornalista José Cruz. Lá ele aborda temas do esporte com uma visão política e econômica. Vale a pena acompanhá-lo: blogdocruz.blog.uol.com.br

Aproveito para reproduzir aqui um de seus ótimos textos, publicado hoje (22/08/2009) sob o título “Os entraves da Copa” (disponível em: http://blogdocruz.blog.uol.com.br/arch2009-08-16_2009-08-22.html#2009_08-20_18_27_00-139474431-0).

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Os entraves da Copa

Passada a euforia das cidades vencedoras para receberem jogos da Copa do Mundo de 2014, os problemas entram na ordem do dia. Pior: não há encaminhamento de soluções. Cuiabá, por exemplo, vive um drama: terá que construir hotéis, mas depois da festa do futebol faltará movimentação turística para ocupar a rede. Diante dessa realidade, ninguém se atreve a investir no segmento.

A deputada Thelma de Oliveira (PSDB-MT) está “extremamente angustiada”. E desabafa: “As autoridades do nosso estado sentem insegurança nos rumos da preparação para a Copa. Temos problemas graves a resolver, como saneamento básico. Mas, onde estão os recursos? Já tivemos reuniões com vários ministros e não sentimos firmeza nas suas respostas”.

Foi neste tom que se realizou hoje a quarta audiência pública sobre o s preparativos para a Copa, na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, na Câmara dos Deputados. O tema da vez foi turismo.

Alerta

Paulo Ratts, deputado do PMDB pelo Rio de Janeiro, alertou que construir hotéis pode provocar um colapso, mais tarde, porque muitas cidades não terão movimento de visitantes que justifique tal investimento.

“Ainda não temos nem os custos dos investimentos que serão realizados pelo governo. Eu estou convencido de que o Brasil não está preparado para receber a Copa”, alertou.

Na prática, o governo federal já garantiu que o BNDES terá linhas de créditos para investimentos, inclusive para a construção e reforma de estádios. Porém, há dúvidas: “Os estados, os municípios ou os clubes envolvidos na empreitada terão condições de honrar os financiamentos”? – indaga Rattes.

O outro lado

A disposição do BNDES de abrir os cofres parece não ser o suficiente. O diretor-executivo da Associação da Indústria de Hotéis, César Gonçalves, lembrou que os juros dos empréstimos são altíssimos e o prazo de carência é pequeno, apenas cinco anos. “O negócio hoteleiro não dá retorno imediato. É preciso aumentar o prazo e reduzir os juros”, sugeriu.

Em busca do tempo perdido 2 – A subcomissão parlamentar

seloEm março de 2009 comentei com certa empolgação aqui no blog (nos posts dos dias 01/03/2009 e 10/03/2009) uma excelente reportagem da revista Carta Capital (Aos pés de Teixeira”, de Phydia de Athayde , publicada em 27/02/2009, ano XV, nº 535) onde o Deputado Federal Silvio Torres (PSDB-SP) criticava o excesso de poder nas mãos de Ricardo Teixeira (presidente da CBF e do comitê organizador da Copa), lembrava da péssima organização do Pan e da falta de fiscalização do dinheiro público lá empregado.

Ao final o Deputado falava que havia apresentado uma proposta de criação de uma Subcomissão especial na Câmara dos Deputados, ligada à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, a fim de fiscalizar os gastos do Governo Federal com a Copa de 2014 para evitar outro vexame de escala Panamericana.

De fato tal subcomissão foi criada (ainda em março de 2009). Mas será que vai adiantar de alguma coisa?

Logo após a sua criação, o site da Transparência Brasil, mais especificamente sua subdivisão Excelências (que faz um levantamento das informações dos parlamentares em exercício no Brasil) publicou um estudo sobre essa subcomissão. Leia um resumo deste estudo, publicado no site da ESPN Brasil:

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Uma subcomissão acima de qualquer suspeita para fiscalizar gastos da Copa

(por José Roberto Malia, publicado no site da ESPN Brasil em 11/06/2009, em: http://espnbrasil.terra.com.br/copadomundo/noticia/55285_UMA+SUBCOMISSAO+ACIMA+DE+QUALQUER+SUSPEITA+PARA+FISCALIZAR+GASTOS+DA+COPA)

Os espertinhos que se cubram. A subcomissão criada na Câmara dos Deputados para monitorar os recursos públicos federais para a Copa-2014 é capaz de achar agulha no palheiro de olhos vendados. Nada vai passar batido.

Segundo a ‘Transparência Brasil’, organização independente e comprometida com o combate à corrupção, dos 18 integrantes da ilibada bancada de parlamentares, 14 (os nove titulares e cinco suplentes) respondem a inquérito ou ação penal na Justiça; ou foram multados por Tribunal de Contas; ou tiveram contas de campanha rejeitadas pela Justiça Eleitoral; ou estão sendo executados por dívidas junto ao poder público.

O mar de rosas continua: dos 18 deputados, 16 (oito titulares e oito suplentes) tiveram o nome envolvido em supostos atos de desvio ou mau uso de recursos públicos; nenhum dos 18 integrantes está fora de alguma das duas listas; e 13 dos 18 deputados representam estados que receberão jogos da Copa-2014, incluindo-se o vice-presidente e o relator da subcomissão, o que configura conflito de interesse.

De acordo com a ‘Transparência Brasil’, a análise do perfil dos deputados integrantes da subcomissão permanente para acompanhamento, fiscalização e controle dos recursos públicos federais destinados à Copa-2014 “mostra que todos apresentam algum tipo de vulnerabilidade ou conflito de interesse para exercer essa tarefa e que, portanto, não poderiam estar nessa posição”.

Felizmente, há sempre o outro lado da moeda. Cuiabá que o diga! O prefeito Wilson Santos (PSDB) jogou no lixo a promessa do rei da bola, Ricardo Teixeira, de que não seria usado dinheiro público na construção ou reforma de estádios. Ele vai erguer um elefante branco, o Verdão, com 100% de recursos do governo estadual. A arena, com capacidade para 42.500 torcedores, vai devorar apenas R$ 400 milhões.

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O estudo do Transparência Brasil está disponível no endereço: http://www.excelencias.org.br/docs/SubcomissCopa.pdf

Vale a pena dar uma olhada no estudo.

Vale também saber quem são os 18 Deputados (9 titulares mais 9 suplentes) que compõem esta Subcomissão, pois, havendo qualquer problema no repasse de verbas ou nos contratos assinados pelo Governo Federal, é de responsabilidade deles encontrá-las.

Pelo menos até 2010, quando teremos novas eleições e a Subcomissão será reformulada…

Segue a lista dos componentes (com o link do perfil de cada um deles no site da Transparência Brasil):

Titulares
Rômulo Gouveia – PSDB/PB (Presidente da Subcomissão)
Léo Alcântara – PR/CE (Vice-presidente da Subcomissão)
Paulo Rattes – PMDB/RJ (Relator da Subcomissão)
Ademir Camilo – PDT/MG
Carlos Willian – PTC/MG
Edinho Bez – PMDB/SC
José Carlos Machado – DEM/SE
Rodrigo Maia – DEM/RJ
Simão Sessim – PP/RJ

Suplentes
Bruno Araújo – PSDB/PE
Devanir Ribeiro – PT/SP
Felipe Bornier – PHS/RJ
João Magalhães – PMDB/MG
José Carlos Vieira – DEM/SC
Léo Vivas – PRB/RJ
Márcio Reinaldo Moreira – PP/MG
Silvio Torres – PSDB/SP
Wellington Roberto – PR/PB

Em busca do tempo perdido 1 – O anúncio, o sigilo e a segurança pública

Em busca do tempo perdido

Cadernos da Copa em busca do tempo perdido

Conforme relatado em nossos últimos posts, foram anunciadas em 31/05/2009 as 12 cidades que sediarão os jogos da Copa de 2014. Tal anuncio foi feito sem surpresa alguma, uma vez que durante a semana anterior a informação vazou a conta-gotas, primeiro dizendo que o Rio seria uma das sedes, que Florianópolis estava fora, depois que Salvador estava dentro… Enfim, no dia 29/05/2009 o jornalista Anselmo Gois abriu a torneira de vez e despejou em seu blog as 12 cidades, quase 48h antes da FIFA, tornando o anúncio oficial um mero ato burocrático e desnecessário, rendendo uma cobertura da imprensa que não conseguiu causar qualquer impacto.

Ricardo Teixeira (presidente da CBF e do comitê organizador da Copa) negou que tenha havido vazamento de informação e atribuiu à sorte o acerto de Anselmo Gois.

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Se em novembro de 2007 o anúncio do Brasil como sede da Copa de 2014 ficou marcado pela queda da arquibancada do estádio da Fonte Nova que resultou em 7 mortos,em junho de 2009, o anúncio das 12 cidades ficou marcado pela morte de mais 1 torcedor. Desta vez, o motivo da morte foi o confronto entre torcedores do Vasco e do Corinthians após jogo válido pela Copa do Brasil (torneio organizado pela CBF).

O confronto deu-se, segundo a Folha Online (no texto “Morte de torcedor expõe impotência do país da Copa-2014”, publicado em 05/06/2009, de Luis Kawaguti e Mariana Bastos), em uma Avenida de São Paulo, quando um comboio de 15 ônibus da torcida do Vasco, escoltado pela PM, foi abordado por um ônibus com 60 membros de uma torcida organizada do Corinthians, armados com barras de ferro, pedras, facas e pelo menos duas armas de fogo. Segundo a PM cerca de 450 pessoas participaram da briga e durou 15 minutos, quando chegaram mais policiais e controlaram a situação.

Ônibus atacado em SP após jogo da Copa do Brasil. http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1182205-5605,00.html

Ônibus atacado em SP após jogo da Copa do Brasil. http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1182205-5605,00.html

Assim como a tragédia da Fonte Nova, esta também não abalou a organização da Copa, afinal, uma morte a mais ou uma morte a menos não irá alterar em nada os planos da Copa.

Questionado sobre o ocorrido, o Ministro dos Esportes, Orlando Silva Jr. afirmou que “O que aconteceu não afeta [a Copa] em nada. Nada tem a ver com a Copa do Mundo” (conforme site da Folha Online, na reportagem “Para ministro, morte de torcedor não afeta Copa-2014de 05/06/2009, em http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u576820.shtml).

Menos preocupado com a segurança pública está o presidente da CBF e do comitê organizador da Copa do Mundo no Brasil, o Senhor Ricardo Teixeira.

Conforme informa o Blog de Juca Kfouri (no post “Pôncio Pilatos é o novo presidente da CBF“, de 05/06/2009, em: http://blogdojuca.blog.uol.com.br/arch2009-05-31_2009-06-06.html), ao ser questionado, Teixeira apenas perguntou: “Foi dentro do Estádio?“. Ao saber que não, lavou suas mãos: “É o que eu sempre tenho dito em entrevistas. Tudo o que acontece fora do campo é caso de polícia. O problema é que se relaciona a violência ao fato de ter acontecido em um jogo. Certamente em várias cidades aconteceram vários casos de violência que não têm nada a ver com futebol. É um problema exclusivamente de polícia e de punição”.

Assim sendo, podemos esperar que a organização da Copa (seja por parte dos organizadores, representados por Teixeira, seja por parte do Governo, representados pelo Ministro) não terá qualquer plano visando a segurança pública. Pois isso é, obviamente, um problema dos turistas, não da organização da Copa!

O descaso e a falta de envolvimento na organização do evento é chocante. Até o momento só se tem falado em construir e reformar estádios. Afinal de contas, planejar questões estratégicas e fundamentais para o desenvolvimento do turismo pós-Copa não deve ser problema deles mesmo (sem contar que não gera contrato com empreiteiras).

O confronto deu-se, segundo a Folha Online (no texto “Morte de torcedor expõe impotência do país da Copa-2014”, publicado em 05/06/2009, de Luis Kawaguti e Mariana Bastos), em uma Avenida de São Paulo, quando um comboio de 15 ônibus da torcida do Vasco, escoltado pela PM, foi abordado por um ônibus com 60 membros de uma torcida organizada do Corinthians, armados com barras de ferro, pedras, facas e pelo menos duas armas de fogo. Segundo a PM cerca de 450 pessoas participaram da briga e durou 15 minutos, quando chegaram mais policiais e controlaram a situação.

Assim como a tragédia da Fonte Nova, esta não abalou a organização da Copa, afinal, uma morte a mais ou uma morte a menos não irá alterar em nada os planos da Copa.
Questionado sobre o ocorrido, o Ministro dos Esportes, Orlando Silva Jr. afirmou que “O que aconteceu não afeta [a Copa] em nada. Nada tem a ver com a Copa do Mundo” (conforme site da Folha Online, reportagem de 05/06/2009, em http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u576820.shtml).

Menos preocupado com a segurança pública está o presidente da CBF e do comitê organizador da Copa do Mundo no Brasil, o Senhor Ricardo Teixeira.
Conforme informa o Blog de Juca Kfouri (no post Pôncio Pilatos é o novo presidente da CBF, de 05/06/2009, em: http://blogdojuca.blog.uol.com.br/arch2009-05-31_2009-06-06.html), Teixeira quis saber apenas se a morte havia ocorrido dentro do Estádio. Ao saber que não, lavou suas mãos: “É o que eu sempre tenho dito em entrevistas. Tudo o que acontece fora do campo é caso de polícia. O problema é que se relaciona a violência ao fato de ter acontecido em um jogo. Certamente em várias cidades aconteceram vários casos de violência que não têm nada a ver com futebol. É um problema exclusivamente de polícia e de punição”.

Assim sendo, podemos esperar que a organização da Copa (seja por parte dos organizadores, representados por Teixeira, seja por parte do Governo, representados pelo Ministro) não terá qualquer plano visando a segurança pública. Pois isso é, obviamente, um problema dos turistas, não da organização da Copa!
O descaso e a falta de envolvimento na organização do evento é chocante. Até o momento só se tem falado em construir estádios novos. Afinal de contas, planejar questões estratégicas e fundamentais para o desenvolvimento do turismo pós-Copa não deve ser problema deles mesmo (sem contar que não gera contrato com empreiteiras).

As 12 cidades eleitas

cidades_2014

Ricardo Terra Teixeira (Presidente da CBF), Joseph S. Blatter (Presidente da FIFA) e Jérôme Valcke (Secretário Geral da FIFA) apresentam o mapa com as 12 cidades eleitas para sediar os jogos da Copa de 2014.

Foi sem surpresa nenhuma que a FIFA anunciou domingo, dia 31/05/2009, quais serão as 12 cidades que abrigarão os jogos da Copa do Mundo de 2014.

Confira a lista, encontrada no site oficial da FIFA:

(em: http://www.fifa.com/aboutfifa/federation/bodies/news/newsid=1064305.html?cid=rssfeed&att=)

* Belo Horizonte
* Brasilia
* Cuiaba
* Curitiba
* Fortaleza
* Manaus
* Natal
* Porto Alegre
* Recife
* Rio De Janeiro
* Salvador
* Sao Paulo

Ficaram de fora: Belém, Campo Grande, Florianópolis, Goiânia e Rio Branco.