Arquivo do mês: janeiro 2010

O preço de um “elefante branco”

Portugal abrigou a edição de 2004 da Eurocopa, mesmo sob os protestos de parte da população, preocupada com o custo que tal evento lhes traria. Cinco anos e meio depois, o tema ainda é discutido por lá, pois como se suspeitava, a conta a pagar é muito alta.

Lá, a escolha dos 10 estádios deu-se priorizando sua distribuição pelo território português e o peso político de algumas cidades. Esqueceram de levar em conta a viabilidade de manutenção destes projetos a longo prazo.

Tais projetos pretendiam pagar a manutenção realizando outros grandes eventos nestes estádios após o torneio (como podemos perceber no site oficial do estádio municipal de Aveiro). O que os projetos provavelmente não previam é QUEM iria trazer um evento do porte de um estádio de futebol para a sua cidade. Afinal de contas, no caso de Portugal, os grandes eventos costumam ir para as maiores cidades do país: Lisboa e Porto (que também reformaram seus estádios para receber a Euro’04).

Da mesma forma, os grandes eventos costumam procurar os centros financeiros e populacionais do Brasil (especialmente São Paulo e Rio de Janeiro). Será que a mera existência de um estádio moderno levará estes eventos para todas as outras 10 cidades que receberão a Copa?

Em Portugal isso não aconteceu, e a conta da manutenção destes estádios está tornando sua mera existência inviável. Por este motivo, o ex-ministro da economia de Portugal, Augusto Mateus, está sugerindo a demolição de 5 dos 10 estádios usados na Euro’04. Segundo ele: É muito complicado lidar com as dívidas de algo que não cria riqueza nem representa um bem público“. (Conforme reporta o site Máquina do Esporte na reportagem “Portugal cogita demolir estádios da Euro“, de 19/01/2010).

Estádio de Aveiro é um dos mais inviáveis em Portugal. Foto disponível em: http://www.ema.pt/fotografia2.php?id=4&cat2=Panorâmicas Gerais do Estádio

Reproduzo a seguir o texto “Alerta para 2014! A manada da Euro-04 assola Portugal“, de Erich Beting (publicado em seu Blog em 19/10/2010) que trata sobre o mesmo tema:

______________________________________________________________________________

Em tempos de pré-Copa do Mundo brasileira, seria interessante que o digníssimo ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., passasse a ler o noticiário de Portugal.

Cinco anos e meio após a Eurocopa que revolucionou alguns velhos estádios portugueses, dando aparentemente novo fôlego ao futebol na terrinha, a esfera pública está atolada em dívidas e com dificuldade para manter em dia o pagamento da construção dessas magníficas arenas que vivenciaram cerca de um mês de festa.

Por ano são mais de 13 milhões de euros que o governo gasta para manter de pé os elefantes coloridos, porque muitos deles já têm cadeiras multicores para dar a falsa impressão de que o estádio está cheio.

A situação menos pior é o estádio de Braga. O clube, que lidera o Campeonato Português, consegue encher cerca de 40% da arena por partida. O Beira-Mar, que joga as partidas da Segunda Divisão portuguesa no estádio de Aveiro, completa por volta de 5% dos 30 mil lugares do estádio municipal. Por isso mesmo, a prefeitura já cogita demolir o estádio e vender o terreno para a especulação imobiliária.

Seria interessante que o ministro, tão bem informado a ponto de afirmar que o investimento para receber uma Copa do Mundo já se justifica ter investimento em arena esportiva em locais onde não há um grande consumo do futebol, pensasse no que será dos nove estádios programados para o Mundial de 2014 e que não são da iniciativa privada.

Lá em 2019, aposto que Maracanã e Mineirão ainda estarão com as contas em dia, sendo exaltados como exemplos de como a Copa ajudou a melhorar ainda mais o país do futebol. As outras sete formidáveis arenas, se continuarem pensando apenas no Mundial tupiniquim, estarão desesperadas para que alguma empresa compre o espaço e o transforme num shopping.

E isso que nem estamos falando aqui do fato de que estamos a apenas quatro anos da Copa de 2014 e simplesmente nenhuma obra teve início. Não de estádios. Mas de infraestrutura, algo que é muito mais importante para a população e, aí sim, justifica os gastos.

Em tempos de pré-Copa do Mundo brasileira, seria interessante que o digníssimo ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., passasse a ler o noticiário de Portugal.

Cinco anos e meio após a Eurocopa que revolucionou alguns velhos estádios portugueses, dando aparentemente novo fôlego ao futebol na terrinha, a esfera pública está atolada em dívidas e com dificuldade para manter em dia o pagamento da construção dessas magníficas arenas que vivenciaram cerca de um mês de festa.

Por ano são mais de 13 milhões de euros que o governo gasta para manter de pé os elefantes coloridos, porque muitos deles já têm cadeiras multicores para dar a falsa impressão de que o estádio está cheio.

A situação menos pior é o estádio de Braga. O clube, que lidera o Campeonato Português, consegue encher cerca de 40% da arena por partida. O Beira-Mar, que joga as partidas da Segunda Divisão portuguesa no estádio de Aveiro, completa por volta de 5% dos 30 mil lugares do estádio municipal. Por isso mesmo, a prefeitura já cogita demolir o estádio e vender o terreno para a especulação imobiliária.

Seria interessante que o ministro, tão bem informado a ponto de afirmar que o investimento para receber uma Copa do Mundo já se justifica ter investimento em arena esportiva em locais onde não há um grande consumo do futebol, pensasse no que será dos nove estádios programados para o Mundial de 2014 e que não são da iniciativa privada.

Lá em 2019, aposto que Maracanã e Mineirão ainda estarão com as contas em dia, sendo exaltados como exemplos de como a Copa ajudou a melhorar ainda mais o país do futebol. As outras sete formidáveis arenas, se continuarem pensando apenas no Mundial tupiniquim, estarão desesperadas para que alguma empresa compre o espaço e o transforme num shopping.

E isso que nem estamos falando aqui do fato de que estamos a apenas quatro anos da Copa de 2014 e simplesmente nenhuma obra teve início. Não de estádios. Mas de infraestrutura, algo que é muito mais importante para a população e, aí sim, justifica os gastos.

Anúncios