Arquivo do mês: fevereiro 2009

O dinheiro público e os estádios

Reportagem publicada no jornal Folha de S. Paulo neste sábado, dia 07/02/2009, com o título “Governo ampara desalojados por Copa-14”, (disponível no link http://www.tricolormania.com.br/noticias.asp?cod=65881), informa que alguns Governos estaduais e municipais (e até o Governo Federal) pretendem assumir, em nome de sua população, mais um gasto ligado à Copa de 2014:

Com a reforma ou reconstrução dos estádios visando a Copa de 2014, cerca de duas dezenas de clubes ficaram sem estádio para jogar nos próximos anos.

O problema seria dos clubes. No caso dos estádios públicos (como o Maracanã e o Mineirão) os clubes são meros locatários dos estádios. Não podendo alugá-los, é de responsabilidade de seus dirigentes buscar outro estádio em condições de abrigar os jogos. No caso de estádios particulares (como o Morumbi e o Beira-Rio), o dono do estádio é o maior beneficiado com a reforma e os patrocínios que o evento atrairá a eles. Assim, nada mais justo do que o clube arcar com os contratempos das reformas.

Mas, não é assim que muitos Governos pensam: segundo a reportagem, “a solução para o problema promete ser cara. Em regime de urgência, governos estaduais, com o auxílio de dinheiro federal, já começaram a investir em estádios alternativos enquanto os que serão usados na Copa estiverem fechados”.

O primeiro exemplo vem da Bahia, onde o Governo Estadual reformou o estádio Pituaçu (que hoje serve quase exclusivamente ao Clube Bahia) após o desabamento do Estádio da Fonte Nova em 2007. O planejamento da reforma deveu em precisão (lembrando-nos das Contas do Pan 2007): segundo a mesma reportagem, “a obra estava orçada em R$ 20 milhões e com duração prevista de cinco meses. Acabou custando R$ 55 milhões aos contribuintes baianos, além de inaugurada seis meses depois do previsto”.

Outro caso que vale ser lembrado é o do Estádio do Bezerrão, no Distrito Federal. Reinaugurado em novembro de 2008, “foi reconstruído com 55 milhões de reais do governo do estado do Distrito Federal” (conforme informa Paulo Vinícius Coelho, no post de 19/11/2008, “O primeiro gol contra da Copa 2014”, disponível em: http://espnbrasil.terra.com.br/pauloviniciuscoelho/post/27506_O+PRIMEIRO+GOL+CONTRA+DA+COPA+2014).

O Estádio do Bezerrão é do Governo do DF, mas serve quase que exclusivamente ao clube da cidade, o Gama. Contando com projeto do famoso arquiteto Ruy Ohtake, o estádio deve ser usado como mero campo de treinamento das seleções que se hospedarem no DF, já que o projeto da Capital Federal para a Copa indica o Estádio Mané Garrincha como local dos jogos.

A reportagem da Folha ainda apurou que em Minas Gerais o Governo pretende investir na reforma de um estádio particular. De propriedade do América, o Estádio da Independência receberia cerca de R$ 40 milhões de dinheiro público, sendo que R$ 30 milhões viriam (veja você) do Governo Federal! A reforma visa dar condições ao estádio de receber os jogos do Cruzeiro e do Atlético durante a reforma do Mineirão. Com o investimento federal e estadual o estádio passaria a ser administrado durante cinco anos pela Ademg [Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais], voltando à administração do América ao final deste período.

O Governo Federal também deve ajudar na reforma do Estádio Olímpico de Goiânia (GO), com custo para reforma estimado em R$ 30 milhões, abrigando os jogos do Serra Dourada.

Lembramos que o Presidente afirmou em entrevista à ESPN Brasil (no Programa Bola da Vez que foi ao ar em 24/01/2009, comentado neste Blog no post de 02/02/2009) que o Governo Federal não iria colocar nenhum centavo na construção de estádios. Talvez o Governo Federal não coloque nenhum centavo diretamente nos estádios que abrigarão jogos da Copa, mas que está colocando dinheiro em estádios ligados à Copa, isso está!

E quem paga a conta? (Parte 3)

Sempre fui favorável ao Brasil receber um evento como a Copa do Mundo. Fui. Até o Pan de 2007, quando fiquei impressionado com os gastos públicos mal direcionados.

Apesar disso, ainda espero que algo de bom fique da Copa de 2014. De uma forma ou de outra, acredito que o Brasil terá como legado uma infraestrutura muito melhor (só temo o custo disso tudo para nós, os contribuintes). Resta-nos fiscalizar.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, reportagens já dão conta de que haverá um investimento nunca antes feito a fim de viabilizar o transporte na cidade. Enquanto espera-se o plano de investimento Federal pelo PAC (que deve sair em março) provavelmente focado na estrutura aeroportuária, a Prefeitura e o Governo Estadual já começam a fazer propaganda de suas obras, em especial no metrô.

Segundo o Plano de Expansão do Metrô, até 2010 serão investidos R$ 20 bilhões na expansão das linhas férreas metropolitanas. O metrô especificamente deverá passar dos 61,3 km existentes para cerca de 80 km.

Fica difícil de acreditar em um aumento de cerca de 18,7 km em tão pouco tempo. Conforme reportagem do Jornal Estado de S. Paulo, publicada em 08/09/2008, disponível em: http://www.estadao.com.br/cidades/not_cid237779,0.htm, “de 1974, ano em que foi inaugurado, até 2007, o metrô de São Paulo avançou 1,5 km ao ano”. Ainda segundo a mesma reportagem, a expansão do metrô faz-se necessária, já que São Paulo tem hoje o metrô mais lotado do mundo.

Dentro deste plano de expansão há uma linha nova, que, visando a Copa, pretende integrar o Estádio do Morumbi ao resto da cidade. Afastado do centro da cidade, o estádio é de difícil acesso hoje. Praticamente só se chega lá de carro, apesar de não haver estacionamento no estádio. Há apenas “flanelinhas” (ou “guardadores de carro”) nos arredores do estádio.

Mas ainda assim, tenho certo orgulho de São Paulo. Ao contrário de outros Estados, que deverão utilizar estádios públicos para abrigar os jogos, o Estádio do Morumbi é particular e, até o presente não se falou em investimento público em sua reforma.

Cuiabá (MT) por outro lado tem planos de investir dinheir público em seu estádio, conforme reporta Paulo Vinícius Coelho da ESPN Brasil (post de 02/02/2009, encontrado em:

http://espnbrasil.terra.com.br/cuiab%E1/post/31841_CUIABA+PRETENDE+GASTAR+350+MILHOES+DE+DINHEIRO+PUBLICO+PARA+SER+SEDE+DA+COPA)

PVC afirma que “o projeto de Cuiabá inclui R$ 350 milhões somente para a construção do novo estádio. O José Fragelli será demolido e reconstruído no mesmo local. Tudo dinheiro público, do governo do Estado do Mato Grosso!!!”

“Além desse dinheiro, quatro Centros de Treinamento serão construídos. Um em Várzea Grande, um na Chapada dos Guimarães, um no Pantanal, outro no Lago de Manso. Tudo dinheiro das prefeituras!!!”

São Paulo ainda tem a chance de ficar com algum legado dessa Copa. E Cuiabá? Deixo PVC concluir:

“O legado? O prefeito de Cuiabá, Wilson dos Santos, garante: ‘A Copa do Mundo uniu muito a cidade. Nosso projeto é ter um time na Série A do Brasileirão em 2012, dois anos antes da Copa’, diz o prefeito. O grande problema: tudo é dinheiro público. Não do governo federal, como Lula garantiu. E daí? Dinheiro público do governo do estado também é dinheiro seu, que vive no Mato Grosso”.

Portanto, caso Cuiabá seja eleita uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, quem vai pagar a conta é você, contribuinte mato-grossense!

cerca de R$ 350 milhões de dinheiro público.

Foto de divulgação do projeto do Estádio Verdão, em Cuiabá: cerca de R$ 350 milhões de dinheiro público.

Foto de divulgação do projeto do Verdão disponível em:

http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/0,,MUL978365-9825,00-CAMPO+GRANDE+E+CUIABA+REVIVEM+RIVALIDADE+NA+DISPUTA+PELA+COPA+DE.html

A história de uma reforma sem fim

Pesquisando sobre as reformas do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014 encontrei uma notícia da Folha Online de 26/11/2006 (isso mesmo, 2006) com o títuloNovo Maracanã custa estádio de Copa do Mundo“, assinada por Mário Magalhães e Sérgio Rangel, disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u110217.shtml.

A reportagem refere-se ainda à reforma do estádio para o Pan 2007.

Reproduzo ela a baixo por ter forte ligação com nosso post anterior: “E quem paga a conta (Parte 2)” e também porque recordar é viver. Esperamos que o Governo do Rio de Janeiro se recorde dessas histórias e tenha aprendido algo nos últimos 10 anos de reformas infinitas.

Novo Maracanã custa estádio de Copa do Mundo (26/11/2006)

No estádio dos gols de placa, os torcedores e visitantes que chegam pelo saguão dos elevadores vêem tantas placas nas paredes como pés de velhos craques impressos na argamassa do Hall da Fama.

Em uma delas se lê: “Inauguração da 1ª fase das obras de reforma do Maracanã; 1º Mundial Interclubes; 06 de janeiro de 2000“. Abaixo, outra: “Inauguração da grande reforma do Estádio Jornalista Mário Filho -Maracanã; período de outubro de 1999 a abril de 2002; Rio de Janeiro, 04 de abril de 2002“.

As placas têm pedido limpeza assídua. O que não falta no antigo ‘maior estádio do mundo’ são nuvens de pó: o canteiro de obras quase permanente nos últimos oito anos se alvoroçou com a proximidade do Pan-Americano de 2007.

De janeiro de 1999 ao mês passado foram consumidos R$ 157 milhões de verbas do Estado do Rio em reformas do complexo do Maracanã -estádio de futebol, ginásio Maracanãzinho, parque aquático Júlio Delamare e estádio de atletismo Célio de Barros.

Até a abertura do Pan, a ser realizada no Maracanã no dia 13 de julho, serão gastos mais R$ 95 milhões. No total, R$ 252.092.950,10, sem atualização monetária, concentrados na arena de futebol.

São números fornecidos pela Suderj (Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro), com base nas planilhas da Emop, a empresa estadual de obras públicas.

É dinheiro suficiente para erguer modernos estádios de Copa do Mundo: o de Leipzig, da Alemanha-2006 (custou o equivalente a R$ 244 milhões), ou o de Seogwipo, da Coréia-2002 (R$ 203 milhões).

O volume de recursos é nominalmente o quádruplo dos R$ 60 milhões anunciados para a “grande reforma” pelo então governador Anthony Garotinho em junho de 1999.

Em abril de 2005, a sucessora e mulher de Garotinho, Rosinha Matheus, afirmou que sairiam por R$ 71 milhões as obras que deixariam o complexo tinindo para o Pan. De janeiro do ano passado até os Jogos a conta fechará em R$ 192 milhões, beirando o triplo do estimado pela governadora.

Não são apenas orçamentos e estimativas que não se confirmam. Em outubro de 2005, o governo do Estado divulgou que em abril de 2006 o Maracanãzinho seria reinaugurado.

Se mantido o novo prazo (abril de 2007), o atraso será de um ano. A conclusão da reforma do Maracanã, cujo prazo era o mês que vem, ficou para as vésperas do Pan.

Placa de museu

Sob as duas placas que celebram as reformas em 2000 e 2002 há uma terceira: “Inauguração do Novo Espaço Cultural e Esportivo do Maracanã; Rio, 4 de abril de 2002′.

O tal espaço, em virtude das obras longevas, não está em funcionamento. Ocuparam-no federações desalojadas de setores em reforma.

Mais adiante, as portas fechadas são as do Museu Internacional Mané Garrincha, inaugurado em abril de 2002 com pompa, circunstância e placa. O Estado desembolsou R$ 4 milhões no projeto. Sem acervo, o museu dedicado ao futebol operou poucas semanas. Mais de quatro anos depois, segue o abandono.

Com 1.200 trabalhadores em ação (do consórcio de empreiteiras Odebrecht, OAS e Andrade Gutierrez), tudo que o Maracanã não parece -e não está- é abandonado. O problema é outro: o bate-estaca atravessa os anos e se insinua como infinito. Cariocas falam em “obra de igreja”.

O novo Maracanã, cuja beleza das cadeiras coloridas já se desenha, continuará como uma instalação velha se confrontada com os padrões requeridos para a Copa.

Se o Brasil sediar o Mundial de 2014, para receber alguns jogos o Maracanã exigirá um novo ciclo de mudanças.

Em julho, o estádio vai oferecer 3.000 vagas de estacionamento. A Fifa impõe 15 mil. A sugestão da Suderj é erguer um edifício-garagem para 12 mil veículos em um terreno federal vizinho, com dinheiro público.

Dos 45 mil assentos da arquibancada, 20 mil não têm -nem terão em 2007- encosto com no mínimo 30 cm de altura. Precisariam ser trocados.

Placa nova

Dos R$ 252 milhões, a Suderj estima que 70% sejam investidos no estádio de futebol e 30% no resto do complexo. Os R$ 176 milhões só para o estádio o deixarão distante do conforto e da modernidade das arenas dos Mundiais recentes.

A cobertura de Leipzig é móvel, para impedir que a chuva molhe os torcedores. Em Hamburgo, também na Alemanha (R$ 261 milhões investidos), todos os assentos são cobertos.

No Maracanã, 50% do público seguirá à mercê do aguaceiro. A administração diz que o alongamento da cobertura engoliria R$ 200 milhões.

Outra diferença é que, na Alemanha, houve estádios construídos por empresas privadas, sem verbas públicas. O de Gelsenkirchen (R$ 514 milhões) não tem um só centavo do Estado. No Rio, todos os centavos são estatais.

A capacidade dos novos estádios europeus e asiáticos é menor que a do novo Maracanã -cerca da metade dos 95 mil a 100 mil lugares previstos.
Graças ao conforto e à tecnologia, contudo, as arenas estrangeiras permitem intensa exploração comercial, com shows e outros eventos lucrativos.

O déficit anual do Maracanã é de R$ 2 milhões. Se dependesse de promessa, o estádio erguido para a Copa de 1950 teria as qualidades do futebol nacional.

“Em dezembro, o Maracanã será um dos mais modernos estádios do mundo”, alardeou em junho de 2000 o então presidente da Suderj, Francisco de Carvalho. O hoje deputado inaugurou muitas placas. Em julho, o Maracanã, reformado por R$ 252 milhões, ganhará mais uma delas.

E quem paga a conta? (Parte 2)

Outro texto que nos chamou a atenção foi post do jornalista Vitor Birner em seu blog no dia 02/02/2009, intitulado “Outra loooooonga e cara reforma no Maracanã” (em: http://blogdobirner.net/2009/02/02/outra-loooooonga-e-cara-reforma-no-maracana/), onde ele chama a atenção aos seguintes fatos: O Maracanã já foi reformado recentemente com o custo de cerca de R$ 240 milhões, enquanto que “para a Copa do Mundo da Alemanha, o moderno estádio de Leipzig saiu por R$ 244 milhões. O de Seogwipo, erguido na Coréia para o mundial de 2002, custou R$ 203 milhões”.

Birner, remete-se a matéria publicada no site globoesporte.com, de 01/02/2009 (http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Times/Selecao_Brasileira/0,,MUL981266-15071,00-REFORMAS+PARA+A+COPA+DE+VAO+FECHAR+O+MARACANA+POR+PELO+MENOS+DOIS+ANOS.html) que informa que o atual projeto de reforma do Maracanã para a Copa do Mundo está orçada em R$ 400 milhões, sendo que metade deste valor, ou seja R$ 200 milhões, será destinada apenas para a construção de uma nova cobertura sobre as arquibancadas.

Ainda segundo a reportagem do Globo Esporte, o Governo do Rio ainda estuda uma forma de cumprir algumas exigências da Fifa (como o período máximo de 8 minutos para a evacuação do estádio). A maioria das exigências da FIFA são encontradas no documento Football Stadiums: Technical recommendations and requirements – 4th Edition (disponível no site da própria FIFA, em: http://www.fifa.com/mm/document/tournament/competition/football_stadiums_technical_recommendations_and_requirements_en_8211.pdf)

Foto de divulgação do projeto do Maracanã 2014. Só a cobertura transparente custará R$ 200 milhões.

Foto de divulgação do projeto do Maracanã 2014. Só a cobertura transparente custará R$ 200 milhões.

Foto de divulgação do projeto do Maracanã encontrada em: http://globoesporte.globo.com/Esportes/Fotos/0,,GF66886-9645,00-FOTOS+OS+PROJETOS+DOS+ESTADIOS+BRASILEIROS+PARA+A+COPA+DE.html#fotogaleria=5

Além do impacto financeiro, o Blog Porto Alegre Resiste, lembra que as obras terão um impacto enorme nas leis municipais. Com o argumento de trazer a Copa do Mundo à sua cidade, os representantes dos clubes estão alterando o Plano Diretor das cidades a torto e a direito, conforme as informações trazidas por eles no post de 30/12/2008 “Com a chantagem da Copa do Mundo…” (disponível em: http://poavive.wordpress.com/2008/12/30/chantagem-da-copa/), reproduzindo as informações da página da Câmara Municipal de Porto Alegre (RS), informando que foram alteradas as regras para construção não só na área do Estádio do Beira-Rio (candidato a sede da Copa), como também da área do Estádio Olímpico, da área onde o Grêmio pretende construir um novo estádio, além da área do antigo estádio do Inter, o Estádio dos Eucaliptos.

Ao menos a população local parece inclinada a se fazer ouvir, já que o Blog publica no mesmo post as fotos de pessoas presentes na Câmara protestando contra as alterações da lei.

Outra informação que chama a atenção no projeto de Porto Alegre, refere-se aos valores. Enquanto o vídeo oficial da candidatura apresentado ao Ministério dos Esportes em 2007 (disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=t01Boc5HfU4) afirma, por volta dos 9 minutos, que todas as obras do Complexo do Beira-Rio, com exceção do hotel que lá será construído, estão estimadas em R$ 55 milhões, uma notícia veiculada pelo site globoesporte.com, informa que o projeto custará cerca de R$ 350 milhões! (16/01/2009 – “FOTOS: Os projetos dos estádios brasileiros para a Copa de 2014” – disponível em: http://globoesporte.globo.com/Esportes/Fotos/0,,GF66886-9645,00-FOTOS+OS+PROJETOS+DOS+ESTADIOS+BRASILEIROS+PARA+A+COPA+DE.html#fotogaleria=3).

E ainda não sabemas a resposta para a pergunta: quem pagará por tudo isso?

Foto de divulgação do Projeto "GIgante Para Sempre" do Complexo do Beira-Rio, em Porto Alegre (RS).

Foto de divulgação do Projeto "GIgante Para Sempre" do Complexo do Beira-Rio, em Porto Alegre (RS).

Foto e descrição do projeto disponível em: http://www.internacional.com.br/pagina.php?modulo=4&setor=34&secao=82

E quem paga a conta? (Parte 1)

O jornalista Jânio de Freitas publicou em sua coluna na Folha de S. Paulo de 01/02/2009 o texto “A Copa da Leviandade” (disponível no Blog do Juca Kfouri, em: http://blogdojuca.blog.uol.com.br/arch2009-02-01_2009-02-07.html). O texto (que obteve grande repercussão na imprensa esportiva) aborda a estimativa de custo da Copa para o país. Segundo os cálculos efetuados pela Fundação Getúlio Vargas, o gasto será de R$35 bilhões. Observe que se trata de uma estimativa (o Pan no Rio 2007 custou cerca de 800% mais caro do que o inicialmente estimado).

Segundo a coluna de Jânio de Freitas, caso o valor se confirme, “equivaleria a duas vezes e mais 30% de todo o Orçamento para a Educação como será apresentado, amanhã [02/02/2009], na reunião ministerial. Ou quase nove vezes o Orçamento para Ciência e Tecnologia”.

Ele cita ainda outros números, como os R$ 3,5 milhões gastos pela cidade de Natal (RN) apenas para apresentar sua candidatura. Caso seja aprovada, a cidade gastará cerca de R$ 300 milhões apenas na construção do “Estádio das Dunas”, financiado por uma Parceria Público-privada (PPP – acostume-se com esta sigla, ela será muito citada nos próximos 5 anos).

O impressionante projeto de Natal (que inclui toda uma área em torno do estádio, num total de 45 hectares, onde também haverá bosque, hotéis, teatro, estacionamentos subterrâneos, prédios comerciais, shopping center e os centros administrativos do governo do Estado e da Prefeitura) está orçado em cerca de R$1,5 bilhões, mas a exploração comercial da área por uma empresa privada geraria um retorno financeiro “interessante” (não encontrei projeções de quantos reais significa “interessante” em nenhum site). Mas, a viabilidade do projeto já é questionada, como vemos na interessante matéria Técnicos contestam proposta do RN para a Copa de 2014”, publicada em 01/02/2009 na Tribuna do Norte Online (disponível em: http://tribunadonorte.com.br/noticias/99613.html).

Foto de divulgação do projeto do Complexo do Estádio das Dunas em Natal (RN).

Foto de divulgação do projeto do Complexo do Estádio das Dunas em Natal (RN).

Foto disponível em: http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Times/Selecao_Brasileira/0,,MUL973818-15071,00-NATAL+TEM+PROJETO+ARROJADO+DE+ARENA+PARA+SER+SEDE+DA+COPA+DO+MUNDO+DE.html

Copa do PAC 2014

Em entrevista ao programa Bola da Vez, do canal ESPN Brasil (exibido em 24/01/2009), o Presidente Lula afirmou veementemente que o Governo Federal não iria participar dos gastos com a construção de estádios para a Copa, ao contrário do que o Governo foi obrigado a fazer no Pan 2007. Segundo o Presidente, não houve um acordo prévio entre a Prefeitura do Rio, o Governo Estadual e o Federal sobre as obrigações de cada um, levando a disputas políticas e deixando o evento de lado. A fim de evitar uma situação mais embaraçosa para o país, o Governo Federal investiu rios de dinheiro apenas para viabilizar a realização do evento , não havendo tempo para se preocupar com o legado deixado para a cidade.

Ainda segundo a entrevista, o Presidente afirmou que o Governo Federal irá se comprometer a auxiliar nos gastos com a infraestrutura das cidades, liberando verbas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) assim que elas forem escolhidas e os projetos forem aprovados.

Confesso que eu não estava botando a menor fé nessa história até ler a noticia a baixo, publicada na Folha de São Paulo de 30/01/2009 (“Cidades Eleitas para Copa-2014 terão manual para seguir”, disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u496108.shtml). Aguardo ansioso pelos resultados dessa reunião. (Posso até botar fé, mas só acredito vendo!)

Lula durante a entrevista ao programa Bola da Vez da ESPN Brasil

Lula durante a entrevista ao programa Bola da Vez da ESPN Brasil.

Foto encontrada em:

http://espnbrasil.terra.com.br/boladavez/noticia/29879_LULA+NO+PAREDAO+AS+22H30#


A FIFA ainda está fazendo suas vistorias nas cidades candidatas. O tour pelas cidades deve acabar no dia 07/02/2009 e, pelo cronograma da FIFA, devemos conhecer as 12 cidades eleitas em 20/03/2009.

Outra boa novidade é o critério que a FIFA diz estar se baseando para escolher as cidades: 2 cidades serão escolhidas com base em preferências regionais (haverá obrigatoriamente uma sede amazônica e uma no Pantanal) enquanto as outras 10 cidades serão escolhidas pela sua capacidade técnica para receber o evento. Esta é a forma mais obvia e simples de se escolher quem abrigará os jogos, mas me surpreendeu! Vivendo a vida inteira em um país em que os políticos e dirigentes nunca optam pelo obvio, é bom ver que ainda há uma aparente lógica no futebol.

Cidades eleitas para Copa-2014 terão manual para seguir

Reportagem de Simone Iglesias, publicado na Folha Online em 30/01/2009, disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u496108.shtml


Mal vai dar tempo de passar a euforia dos prefeitos e governadores com a escolha das cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. Logo após o anúncio pela Fifa, em março, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai fazer uma reunião para colocar “no papel” as atribuições de cada cidade, Estados e governo federal para evitar empurra-empurra de responsabilidades e surpresas desagradáveis próximas à realização da Copa.

Lula ouviu do presidente da Fifa, Joseph Blatter, que a federação está satisfeita com a organização de algumas cidades, mas que a partir de hoje, as vistorias técnicas mostrarão quem só discursou e quem está de fato empenhado.

Segundo o ministro Orlando Silva (Esporte), a Fifa evidenciou que não irá basear a escolha das dez sedes (fora as cidades do Pantanal e da Amazônia) em preferências regionais, mas em capacidade técnica.

Neste encontro com prefeitos e governadores, o governo irá anunciar o PAC da Mobilidade Urbana, coordenado pela ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e que garantirá investimentos em infraestrutura.

Além de tratarem dos preparativos para a Copa, Lula e Blatter conversaram sobre a ida de jogadores jovens para o exterior. O presidente da Fifa classificou o êxodo de “escravidão moderna” e disse que está tomando providências.

“A Fifa já tomou a decisão de que não mais haverá transferência [de país] antes dos 18 anos. Vamos evitar que jovens de 13, 14 anos sejam induzidos por empresários”, disse Blatter.

Na reunião, Lula ganhou do presidente da Fifa uma flâmula e aproveitou para fazer um apelo, em tom de brincadeira: “Estou aqui pedindo ao Blatter que Garanhuns [cidade onde nasceu] seja uma das sedes”, disse.