Arquivo do mês: janeiro 2009

Do descaso à Copa

Esta semana o presidente da FIFA Joseph Blatter confirmou que a Copa de 2014 terá 12 cidades-sede e que um comitê da entidade visitará as 17 cidades candidatas entre 30 de janeiro e 7 de fevereiro. Mas, o que o Comitê encontrará?

Segundo o site da própria CBF, encontrará o completo descaso.

Pelo Estatuto do Torcedor (Lei Federal 10.671/03), artigo 23, é obrigação da entidade responsável pela organização de qualquer competição apresentar ao Ministério Público laudos técnicos emitidos pelas autoridades competentes pela vistoria das as condições de segurança dos estádios.

Segundo Virgílio Elísio, diretor de Competições da CBF, “Para um estádio estar com toda a situação regularizada, é preciso atender as exigências contidas nos três laudos: o da Polícia Militar (condições de segurança), o do Corpo de Bombeiros (prevenção e combate a incêndio) e o da Vigilância Sanitária (higiene)“. (entrevista ao site da CBF, em: http://www.cbf.com.br/sitenoticias/_936318432009128.html)

A poucas semanas do início da Copa do Brasil 2009, 20 dos 64 estádios que serão utilizados na competição ainda estão em situação irregular. Entre os estádios irregulares estão os cotados para a Copa Arena da Baixada (Curitiba) e o provável palco da final da Copa do Mundo: o Maracanã (Rio de Janeiro). O prazo de regularização era até o dia 16 de janeiro, mas frente à inércia dos administradores dos estádios, a CBF prorrogou o prazo até o dia 30 de janeiro. A competição começa em 18 de fevereiro.

Para o jornalista da ESPN Brasil Paulo Calçade, “os estádios brasileiros enfrentam basicamente dois tipos de problemas: o burocrático, resultado da inércia que toma conta das entidades administradoras dos campos; e o estrutural, que revela o péssimo estado de conservação das instalações esportivas brasileiras”. (encontrado no site da ESPN Brasil, em: http://espnbrasil.terra.com.br/copadomundo/post/30972_COM+CHEFAO+DA+FIFA+NO+PAIS+COPA+DO+BRASIL+AINDA+POSSUI+20+ESTADIOS+VETADOS

É de se esperar que aconteça no mínimo uma revolução de hoje até 2014 para cumprir todas as promessas e projetos da CBF e dos Governos Federal, Estaduais e Municipais, transformando os gigantes de concreto sujo e com infiltração nos estádios/arenas modernos dos projetos apresentados até agora. O primeiro passo seria evoluir do descaso atual para noção de responsabilidade que envolver abrigar um evento que receberá milhares de pessoas (não estou falando de uma Copa do Mundo, mas de qualquer jogo de futebol).

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Estádio da Fonte Nova (Salvador) em 2007 (foto do laudo da SINAENCO, em: http://www.copa2014.org.br/pdf/BA.pdf).

fonte_nova_2014Estádio da Fonte Nova em 2014. Projeto entregue pelo Governo da Bahia à CBF em 15/01/2009 (foto de divulgação, encontrada em: http://correio24horas.globo.com/noticias/noticia.asp?codigo=15684&mdl=26).

Presidente da Fifa confirma 12 cidades como sedes da Copa de 2014

Em visita ao Brasil, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, confirmou na tarde desta quarta-feira que 12 cidades serão sedes da Copa do Mundo de 2014. Nos próximos dias, um comitê vai analisar as 17 postulantes para receber os jogos do Mundial. Também candidata, Maceió não faz parte do roteiro, de acordo com a programação divulgada pela CBF [Segundo o presidente da CBF Maceió não entregou seu projeto dentro do prazo, sendo assim descartada como possível sede da Copa].

Blatter esteve reunido com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, com o governador e o prefeito de São Paulo, José Serra e Gilberto Kassab, respectivamente, com Pelé e com o diretor da Globo, Marcelo Campos Pinto.

“Vamos finalmente, após 1950, dar a possibilidade ao Brasil de ter a Copa e ver renascer o futebol. Esse país é um subcontinente, e vamos dividir a Copa em 12 unidades diferentes. A Fifa vai ajudar na organização”, declarou Blatter, em breve discurso no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo.

O comitê da Fifa avaliará os seguintes locais entre o dia 30 de janeiro e 7 de fevereiro: São Paulo, Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Goiânia, Campo Grande, Cuiabá, Rio Branco, Manaus, Belém, Salvador, Recife, Natal e Fortaleza.

As cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Brasília estão praticamente certas como sedes do principal torneio de seleções do planeta.

“Nesse momento de crise mundial, precisamos de emoção, e o que pode dar maior emoção do que o futebol”, questionou Blatter. “A Fifa se compromete a trabalhar muito para dar ao Mundial de 2014 a trajetória que um país como o Brasil merece.”

O cronograma de visitas de Blatter às potenciais sedes é o seguinte:


30/1 São Paulo
31/1 Porto Alegre e Florianópolis
1/2 Curitiba e Rio de Janeiro
2/2 Belo Horizonte e Brasília
3/2 Goiânia e Campo Grande
4/2 Cuiabá e Rio Branco
5/2 Manaus e Belém
6/2 Salvador, Recife e Natal
7/2 Fortaleza

FONTE: http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas/2009/01/28/ult59u185565.jhtm

À sombra do Pan 2007

Em 22/01/2009 site Meio e Mensagem Online publicou a reportagem “Brasil admite falha no marketing do Pan 2007”, assinada por André Lucena, disponíve em:

http://www.meioemensagem.com.br/novomm/br/conteudo_maiusculo/?Brasil_admite_falha_no_marketing_do_Pan_2007,

onde o secretário do Ministério dos Esportes, Ricardo Leyser, que representava o Ministro Orlando Silva no evento Encoesporte (1º Encontro da Cadeia Produtiva do Esporte) lista os principais erros da publicidade oficial dos Jogos Pan-americanos de 2007, disputados no Rio de Janeiro.

Dentre as principais falhas apontadas pelo Secretário estão a falta de investimento na preparação da cidade e de materiais em línguas estrangeiras além de inglês e espanhol.

A venda de produtos e serviços foi outra grande deficiência do evento, segundo ele “Faltaram produtos, pois fomos conservadores. Não geramos muita receita com os produtos comercializados, mas houve uma movimentação muito grande que não foi maior pela nossa deficiência”

Admitir o erro é o começo da solução. Claro que de hoje até 2014 teremos eleições e os responsáveis pela destinação de investimentos públicos e pela preparação do país para o evento devem ser substituídos diversas vezes, mas é reconfortante ver que ao menos alguém que passou pelo Ministério dos Esportes tem uma visão econômica do desporto nacional:

Segundo o secretário do Ministério do Esporte, enquanto o PIB brasileiro registrou um crescimento médio anual de 4% nos últimos anos, os negócios do esporte atingiram um patamar três vezes maior, aumentando 12% ao ano, em média. O setor é responsável por mais de 2% de todas as riquezas geradas pelo País e proporciona cerca de 1,5 milhão de empregos diretos e indiretos por ano.

A sombra do Pan 2007 vai pairar sobre o Ministério dos Esportes por muito tempo. O super-ultra-faturamento dos gastos públicos com jogos (cerca de 800% maiores do que o previsto pelo COB no início da preparação do evento), a falta de licitações, o péssimo legado deixado para a cidade (desde os gastos com a manutenção de arenas e estádios raramente utilizados até os escândalos da conservação e da venda dos apartamentos da Vila do Pan) e as dúvidas do TCU sobre as contas do evento, tudo isso ficou marcado e deve ser lembrado constantemente, em especial durante toda a preparação do país para a Copa.

Cabe agora aos fãs de futebol não esquecer deste “legado” do Pan e buscar informações mais profundas sobre os rumos da organização desta Copa, para que possamos ter um evento que lembraremos por sua qualidade, e não pelas suas contas.

O Secretário Leyser lembrou ainda que além do Mundial de 2014 o Brasil abrigará a Copa das Confederações de 2013, entre outros eventos desportivos. Segundo ele: “Reconstruiremos a imagem do País e teremos uma visibilidade nunca antes alcançada”.

É o mínimo que esperamos…

Impacto econômico da Copa

Ouça: Carlos Eduardo Eboli entrevista o especialista em Marketing e Gestão Esportiva Amir Somoggi na rádio CBN em 04/01/2009 (23m16s).

audio Fifa vai definir as 12 cidades que irão sediar a Copa de 2014

“FIFA vai definir as 12 cidades que irão sediar a Copa de 2014” está disponível no site da Rádio CBN em: http://cbn.globoradio.globo.com/programas/cbn-esportes/2009/01/04/FIFA-VAI-DEFINIR-AS-12-CIDADES-QUE-IRAO-SEDIAR-A-COPA-DE-2014.htm

A entrevista trata da organização do evento e seu legado, discutindo o impacto social e econômico.

Resumo da entrevista:

Somoggi lembra que mais importante do que o evento em si é o seu legado. Ele cita o exemplo dos Jogos Olímpicos de Barcelona 1992. A organização do evento serviu como parte fundamental da recuperação econômica da Espanha, ainda muito afetada pelas crises dos anos 1980, e para reformulação urbana de Barcelona, transformando uma cidade decadente e violenta em um dos centros turísticos da Europa.

Efeito multiplicador dos investimentos:

Em Barcelona foram investidos 12,4 bilhões de euros em todo projeto olímpico (entre investimentos públicos, privados e o fundo olímpico do COI). O impacto econômico desse investimento foi de 34 bilhões de euros. Barcelona ainda tornou-se um dos motores da recuperação econômica da Espanha. Segundo estudo do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a crescente taxa de desemprego em Barcelona caiu entre 1986 e julho de 1992 de 18,4% para 9,6% (contra 15,5% no resto da Espanha).

Estádios:

Na Copa da Alemanha 2006 foram feitos gastos de 1,7 bilhão de euros (21% do orçamento para despesas do evento) apenas com construção e reforma de estádios. O retorno gerado apenas pelos torcedores nos estádios (com compra de ingressos, comida, lembranças, etc) foi de cerca de 6,5 bilhões de euros.

O retorno para os times de futebol profissional também foi grande: em 2004 os 36 times que disputam o campeonato alemão da 1ª e 2ª divisão, geraram um faturamento anual total de 1,28 bilhão de euros. Em 2007 o faturamento dessas mesmas equipes passou a 1,75 bilhão de euros (aumento de 37%). A Alemanha passou de 4ª para 2ª maior força econômica no futebol europeu (atrás apenas da Inglaterra).

Apenas com o rendimento dos estádios, os times passaram de 223 milhões de euros em 2003 para 365 milhões de euros em 2007 (mais de 60% de evolução). Boa parte deste aumento vem de ações na preparação da Copa, que visava o legado que seria deixado para a economia do futebol, de modo que na temporada 2002/2003 apenas 11% dos gastos do torcedor alemão foram voltados para compras além do ingresso (comida, bebida, consumo de produtos do clube, etc) em 2007 esse gasto passou para 24%, isto é, o estádio deixou de ter apenas uma receita (a venda de ingressos) e passou a ser economicamente viável e mais agradável ao torcedor.

O aumento nas receitas não se relaciona com a mera construção ou reforma de estádios, mas sim com a disponibilização de serviços de qualidade, a facilidade de acesso e a segurança. A mera construção de um estádio novo sem qualquer preocupação com a sua integração no ambiente urbano ou com a disponibilização de serviços de qualidade não causa qualquer impacto positivo (a construção do Estádio Engenhão no Rio de Janeiro por exemplo não causou qualquer impacto na economia do futebol brasileiro – apenas nos cofres públicos: orçado em 60 milhões de reais, teve um custo final de 380 milhões de reais).

Brasil:

Segundo os dados da CBF o público anual dos estádios brasileiros não chega a 6 milhões de pessoas. Há espaço para um enorme crescimento deste mercado interno. Conforme análise do próprio Amir Somoggi, as receitas anuais dos estádios brasileiros poderiam passar dos atuais 130 milhões de reais para mais de 330 milhões de reais em cerca de 6 anos (crescimento de 20% ao ano) caso os projetos para a Copa visem agregar valor aos estádios, possibilitando a arrecadação com entretenimento e com venda de bens além dos jogos de futebol.

Agregar valor:

Claro que por “agregar valor aos estádios” entendemos que, além de tornar o espaço viável para outros eventos e oferecer serviços, entendemos que os estádios precisam, antes de tudo, de segurança, conforto e higiene. Não acredito que o Estádio do Morumbi em São Paulo, cotado para abrigar o jogo de abertura da Copa de 2014 tenha este tipo de valor:

banheiro_morumbiFoto do banheiro do estádio do Morumbi retirada do estudo dos Estádios do SINAENCO. Encontrado em: http://www.copa2014.org.br/pdf/SP.pdf

Apresentação do Blog

O presidente da FIFA Joseph Blatter anuncia o Brasil como sede da Copa de 2014

Em 04/07/2004 o Brasil foi anunciado como candidato único para sediar a Copa do Mundo da FIFA de 2014. Após os inspetores da FIFA efetuarem as vistorias às possíveis cidades sede no final do mês de agosto de 2007, já se tinha como fato que a Copa seria sediada aqui.

Mas, foi apenas em 30/10/2007 que tivemos a formalização, com o Presidente da FIFA Joseph Blatter abrindo constrangidamente o envelope com o nome do país que seria sede do torneio, único concorrente e, inevitavelmente, eleito por unanimidade.

Antes de revelar o nome que todos já sabiam, Blatter diz, com o dedo erguido em tom de aviso que “o comitê decidiu conceder a responsabilidade, não apenas o direito, mas a responsabilidade de organizar a Copa do Mundo da FIFA de 2014 ao Brasil”.

Joseph Blatter anunciando o Brasil como sede da Copa de 2014 – disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=lFxgh1vOv4E

Alheios ao aviso e receios de Blatter, a comissão brasileira passou a imediatamente a posar para as fotos das capas de jornais do dia seguinte.

O aviso de Blatter concretizou-se da forma mais dura algumas semanas depois da festa, quando sete pessoas morreram, vítimas do desabamento de parte da arquibancada de um dos estádios indicados para receber jogos da Copa (o Estádio da Fonte Nova, em Salvador), confirmando os laudos do SINAENCO (Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva) que indicavam que nenhum estádio brasileiro teria condições de abrigar jogos da Copa do Mundo e apontando o Estádio da Fonte Nova como o pior estádio visitado por seus técnicos.

Apesar dos alertas e dos acontecimentos, o Governo do Estado da Bahia deve apresentar em breve a candidatura de Salvador como uma das cidades-sede da Copa, indicando o mesmo Estádio da Fonte Nova como centro de sua candidatura após uma longa e custosa reforma que ainda não começou.

O Blog:

Mais de um ano depois do anúncio oficial, a CBF e o Governo brasileiro ainda não criaram um canal oficial de informações sobre o maior evento esportivo da história do país (ao contrário de outros eventos de grande porte, como os Jogos Olimpicos de Londres 2012), trazendo à tona mais uma vez o temor de Blatter no anúncio. Será que nossas autoridades já tomaram conta da responsabilidade que assumiram?

Este Blog foi criado com a finalidade de ser um agregador de notícias sobre o evento, tendo em vista que toda a informação relevante sobre o tema encontrada na internet está dissipada em diversos sites de notícias que ocupam o vácuo que deveria ser preenchido por órgãos oficiais.