01 - Segundo a reportagem de Phydia de Athayde “Aos pés de Teixeira”, publicada na Revista Carta Capital da semana passada (ano XV, nº 535) já mencionada no post anterior, há pouco mais de um ano o Diretor Financeiro do Comitê Organizador da Copa de 2014, Carlos Langoni, apresentou um orçamento preliminar dos custos da Copa, estimando os gastos em cerca de:
- 4,8 bilhões de dólares (ou 8,3 bilhões de reais na época) em obras de infraestrutura, e;
- 1,2 bilhão de dólares (ou 2 bilhões de reais) com os estádios.
02 – No post “E quem paga a conta? (Parte 1)“, publicado neste Blog em 04/02/2009, comentamos a estimativa da Fundação Getúlio Vargas. Segundo os cálculos da Fundação (divulgados no mês de janeiro de 2009):
- 35 bilhões de reais seriam os gastos públicos totais com a Copa (estádios mais infraestrutura).
Naquele post reproduzimos o comentário do jornalista Jânio de Freitas, de que tal valor representaria mais de duas vezes o Orçamento para a educação em 2009 e mais de nove vezes o orçamento para ciência e tecnologia em 2009.
03 – No final do mês de fevereiro de 2009 a Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústria de Base (Abdib) elaborou um estudo de infraestrutura das cidades candidatas, conforme termo de cooperação assinado com a CBF e o Ministério dos Esportes, a fim de auxiliar na escolha das cidades sedes. Neste estudo, estimou-se o seguinte valor:
- 100 bilhões de reais em obras de infraestrutura.
(Número também divulgado na Revista Carta Capital ano XV, nº 535, acima mencionada).
04 - Em nosso post “Impacto econômico da Copa” de 26/01/2009 comentamos uma entrevista do especialista em Marketing e Gestão Esportiva Amir Somoggi à rádio CBN em 04/01/2009.
Nesta entrevista ele afirma que:
- 12 bilhões de dólares foi quanto custou a Copa de 2006 à Alemanha;
- equivalente a 0,34% do PIB da Alemanha em 2006.
Ainda segundo Somoggi,
- 1% do PIB brasileiro de 2007 equivaleria a um gasto de cerca de 25,6 bilhões de reais, o que não traria o retorno efetivo do impacto econômico esperado.
- Caso gastemos 1,5% do PIB brasileiro de 2007 com a Copa, seria um gasto de cerca de 38 bilhões de reais.
05 – De volta à Carta Capital: recuperados os gastos de 12 bilhões de dólares (cerca de 5,5 bilhões de euros à época) a Alemanha ainda obteve lucro com a Copa:
- 135 milhões de euros foi o lucro da Alemanha com a Copa de 2006;
- 40,8 milhões de euros foi a fatia deste lucro repassada à Fifa.
06 - A posição atual do Governo e de todos os envolvidos na organização da Copa 2014 é não falar sobre números ou valores até a escolha das cidades. Mas a gritante diferença dos R$ 8,3 Bi preliminares para os R$ 100 Bi calculados pela Abdib é, no mínimo, constrangedora.
07 – Conclusões: Os números são confusos e ainda “não-oficiais”, mas os valores apurados são preocupantes: gastar 1,5% do PIB de um ano (R$ 38 Bi) com o evento representaria um rombo extraordinário nas contas públicas. Já era preocupante pensar que a Alemanha gastou apenas 0,34% do PIB de um ano com a Copa e obteve um lucro imediato tão pequeno.
Imaginar que o Brasil gastaria cerca de R$ 100 Bi apenas com infraestrutura (como sugere o estudo da Abdib) tornaria a Copa economicamente inviável para o país. Por mais empregos que gere, por mais que valorize o turismo e o crescimento a longo prazo, por melhor que seja o legado da Copa… Enfim, por mais resultados que traga, ainda assim demoraríamos anos para chegar perto de recuperar os gastos com a Copa.
É de se preocupar. Afinal de contas, alguém vai ter que pagar esta conta…