Reportagem publicada no jornal Folha de S. Paulo neste sábado, dia 07/02/2009, com o título “Governo ampara desalojados por Copa-14″, (disponível no link http://www.tricolormania.com.br/noticias.asp?cod=65881), informa que alguns Governos estaduais e municipais (e até o Governo Federal) pretendem assumir, em nome de sua população, mais um gasto ligado à Copa de 2014:
Com a reforma ou reconstrução dos estádios visando a Copa de 2014, cerca de duas dezenas de clubes ficaram sem estádio para jogar nos próximos anos.
O problema seria dos clubes. No caso dos estádios públicos (como o Maracanã e o Mineirão) os clubes são meros locatários dos estádios. Não podendo alugá-los, é de responsabilidade de seus dirigentes buscar outro estádio em condições de abrigar os jogos. No caso de estádios particulares (como o Morumbi e o Beira-Rio), o dono do estádio é o maior beneficiado com a reforma e os patrocínios que o evento atrairá a eles. Assim, nada mais justo do que o clube arcar com os contratempos das reformas.
Mas, não é assim que muitos Governos pensam: segundo a reportagem, “a solução para o problema promete ser cara. Em regime de urgência, governos estaduais, com o auxílio de dinheiro federal, já começaram a investir em estádios alternativos enquanto os que serão usados na Copa estiverem fechados”.
O primeiro exemplo vem da Bahia, onde o Governo Estadual reformou o estádio Pituaçu (que hoje serve quase exclusivamente ao Clube Bahia) após o desabamento do Estádio da Fonte Nova em 2007. O planejamento da reforma deveu em precisão (lembrando-nos das Contas do Pan 2007): segundo a mesma reportagem, “a obra estava orçada em R$ 20 milhões e com duração prevista de cinco meses. Acabou custando R$ 55 milhões aos contribuintes baianos, além de inaugurada seis meses depois do previsto”.
Outro caso que vale ser lembrado é o do Estádio do Bezerrão, no Distrito Federal. Reinaugurado em novembro de 2008, “foi reconstruído com 55 milhões de reais do governo do estado do Distrito Federal” (conforme informa Paulo Vinícius Coelho, no post de 19/11/2008, “O primeiro gol contra da Copa 2014″, disponível em: http://espnbrasil.terra.com.br/pauloviniciuscoelho/post/27506_O+PRIMEIRO+GOL+CONTRA+DA+COPA+2014).
O Estádio do Bezerrão é do Governo do DF, mas serve quase que exclusivamente ao clube da cidade, o Gama. Contando com projeto do famoso arquiteto Ruy Ohtake, o estádio deve ser usado como mero campo de treinamento das seleções que se hospedarem no DF, já que o projeto da Capital Federal para a Copa indica o Estádio Mané Garrincha como local dos jogos.
A reportagem da Folha ainda apurou que em Minas Gerais o Governo pretende investir na reforma de um estádio particular. De propriedade do América, o Estádio da Independência receberia cerca de R$ 40 milhões de dinheiro público, sendo que R$ 30 milhões viriam (veja você) do Governo Federal! A reforma visa dar condições ao estádio de receber os jogos do Cruzeiro e do Atlético durante a reforma do Mineirão. Com o investimento federal e estadual o estádio passaria a ser administrado durante cinco anos pela Ademg [Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais], voltando à administração do América ao final deste período.
O Governo Federal também deve ajudar na reforma do Estádio Olímpico de Goiânia (GO), com custo para reforma estimado em R$ 30 milhões, abrigando os jogos do Serra Dourada.
Lembramos que o Presidente afirmou em entrevista à ESPN Brasil (no Programa Bola da Vez que foi ao ar em 24/01/2009, comentado neste Blog no post de 02/02/2009) que o Governo Federal não iria colocar nenhum centavo na construção de estádios. Talvez o Governo Federal não coloque nenhum centavo diretamente nos estádios que abrigarão jogos da Copa, mas que está colocando dinheiro em estádios ligados à Copa, isso está!




